Prisão para três por risco de fuga

A juíza do Tribunal de Instrução Criminal do Porto enviou em prisão preventiva, na madrugada de ontem, três dos quatro detidos na ‘Operação Ícaro’ do SEF. A advogada e os dois elementos do SEF vão aguardar o desenrolar do inquérito na cadeia.

08 de abril de 2006 às 00:00
Partilhar

Só o inspector do trabalho saiu em liberdade, com uma caução de dois mil euros. A juíza Rosa Pires considerou haver perigo de fuga e de perturbação do inquérito.

A advogada Elisabete Chaves, de Barcelos, está já na Prisão de Santa Cruz do Bispo, o inspector-adjunto Jaime Oliveira seguiu para a Prisão de Santarém (destinada a agentes de autoridade e a magistrados), tendo o funcionário administrativo do SEF, José Alberto, sido enviado para Custóias, mas ontem transferido para a cadeia anexa à PJ do Porto.

Pub

Joaquim Azevedo, o inspector do Trabalho, saiu com uma caução de dois mil euros, podendo continuar a exercer a profissão, de acordo com a determinação da juíza Rosa Margarida Pires, do TIC do Porto.

A ‘Operação Ícaro’ realizada pelo SEF desmantelou um grupo suspeito de envolvimento em auxílio à imigração ilegal e violação de segredo de funcionário, além de corrupção, favorecimento pessoal e falsificação de documentos. O grupo seria liderado por Elisabete Chaves, a jovem advogada de Barcelos que por sua vez tinha o apoio de um colega e que não foi detido, devido à ausência de indícios fortes, ao contrário dos restantes suspeitos.

A partir de ontem, inspectores do SEF iniciaram uma maratona para a análise de documentos apreendidos, até porque o processo assenta mais em prova documental.

Pub

Elisabete Chaves, com escritórios em Barcelos e no Porto, é tida como alegada cabecilha da rede de auxílio à imigração ilegal, tendo-lhe sido apreendidos na ‘Operação Ícaro’ sacos de plástico cheios de dinheiro. Vivia com ostentação e passeava com um Porsche encarnado na região Norte. Segundo apurámos, a decisão da juíza de instrução criminal teve por base indícios bastante fortes, contra a advogada e os dois funcionários do SEF do Porto, além de haver risco de eventual perturbação do inquérito.

O risco de fuga dos arguidos, face à moldura penal elevada dos crimes pelos quais estão indiciados, também pesou. De acordo com fonte ligada ao processo, Paula Godinho, que está a defender a advogada Elisabete Chaves, não se conformou com a decisão, pelo que vai recorrer para a Relação do Porto, solicitando a sua eventual libertação.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar