Professor deixou escola para criar gado em Castro Laboreiro
Alberto Enes, 42 anos, deixou o ensino há cerca de 11 anos para se dedicar ao desafio de criar e vender gado nas fragas de Castro Laboreiro, em Melgaço. Homem de poucas falas mas de sorriso fácil, chegou atrasado ao ponto de encontro mas, à medida que o CM o acompanhou, o seu comportamento foi-se alterando.
“Podia ter ficado a dar aulas ou então ter aceitado um cargo no Ministério da Agricultura, mas do que realmente gosto é disto”, explica, apontando para os animais que vão surgindo na paisagem, a pastarem em campo aberto.
Bacharel em Produção Animal, garante que “os últimos anos no ensino foram uma verdadeira agonia”. Natural de Castro Laboreiro e conhecedor das fragas, não hesitou em mudar de vida. Admite, contudo, que a mulher e os três filhos não gostaram: “Vivo cá em cima sozinho e eles estão lá em baixo na vila [Melgaço]. Não é fácil mas é a vida que escolhi.”
“Comecei a trabalhar com ovelhas mas tive de desistir por causa dos lobos. Só em duas investidas levaram trinta animais. Tinha muito prejuízo. Agora tenho cerca de 53 cabeças de gado” informa.
O ex-professor não tem vida fácil: “Levanto-me por volta das 06h00 e venho logo cá acima soltar os animais. À noite faço a mesma coisa para recolher as vacas, pelo meio há muito trabalho nos campos, pois o feno é essencial, sobretudo durante os Invernos rigorosos.”
Os vitelos são vendidos à Associação de Produtores de Raça Barrosã a pouco mais de cinco euros o quilo. “Não é muito rentável, mas quem corre por gosto...”
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