Professor matou-se com a última bala
Tinha ainda a última bala no tambor do revólver e, quando os holofotes da polícia, que o procurava, atingiram o carro que tinha estacionado sobre as falésias entre o farol da Ponta da Piedade e a praia do Canavial. Encostou o cano à têmpora direita e disparou. <br/><br/>
Para Álvaro Lourenço, de 65 anos, que horas antes tinha assassinado, com cinco tiros disparados à queima-roupa - dois no peito -, a ex-mulher, Deolinda Devesa, de 51, professora de Inglês, num jardim público da rua de Ceuta, em Lagos, a morte foi imediata.
Sem saberem ao certo se o tiro que ouviram era de intimidação ou se o antigo deputado municipal (pela CDU) e professor de Economia reformado da Escola Secundária Júlio Dantas tinha cumprido a palavra dada ao irmão, pelo telemóvel, de que ia acabar com a vida, os agentes optaram por esperar alguns momentos. Quando chegaram junto do Honda Jazz preto do homicida, pelas 23h30 de anteontem, encontraram o cadáver no chão, caído de costas, ao lado do carro e com o revólver - um Magnum .22 antigo - na mão direita.
Durante horas, as autoridades - PJ, PSP e Polícia Marítima - tinham feito buscas para localizar o homem, que se tinha posto em fuga, na viatura, após o crime.
Procuraram-no em casa, onde Álvaro, separado de Deolinda há cerca de três anos, vivia com uma cadela. Mas o homicida, que a partir das 16h00 desligou o telemóvel, optou por seguir para as arribas da Ponta da Piedade, a três quilómetros do local do crime, para morrer.
POLÍTICO E COLEGA DA CDU SURPREENDIDOS
Júlio Barroso, presidente da Câmara de Lagos, conhecia bem Álvaro Lourenço, que foi professor dos seus filhos e colega da esposa na escola Júlio Dantas, além de deputado municipal, no final da década de 90. "Ninguém esperava uma coisa destas, mas é verdade que depois da separação da mulher houve uma alteração notória no seu comportamento", referiu.
Igualmente surpreso ficou José Manuel Freire, da CDU de Lagos. "Era uma pessoa calma, não era conflituosa nem violenta. Nunca pensei que fosse capaz de fazer o que fez", referiu.
CADELA 'LELI' ERA A MELHOR AMIGA DO HOMICIDA
Na casa arrendada por Álvaro Lourenço, na baixa de Lagos, depois da separação de Deolinda Devesa, continuava ontem a sua cadela, ‘Leli', que amigos do antigo professor referiram ao CM ser a "sua melhor amiga", agora ao cuidado do senhorio.
"O professor era boa pessoa mas um homem muito só. Há uma semana disse-me que já não tinha nada a perder e que a ex-mulher, que não lhe queria dar o que lhe pertencia, não se ia ficar a rir. Aconselhei-o a não dar cabo da vida, mas ele fez outra escolha", disse ao CM um amigo, sob anonimato.
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