Prometia procurar culpado de crime que cometeu
Inconformada e em agonia. É desta forma que Salomé Silva vive desde 2011, quando o filho Fábio, 18 anos, foi atropelado em Gondomar.
O jovem morreu três dias depois, e ninguém desconfiou de que Tiago Gonçalves, que encontrara o corpo, era o culpado. Tiago tinha chamado os bombeiros, foi ao funeral, aproximou-se da família e prometeu a Salomé descobrir "quem fez aquilo". Seguia de carro com um amigo e a mulher – ambos estariam a dormir na altura do embate – e só quase um ano depois é que foi acusado de homicídio por negligência. Foi condenado a dois anos de prisão com pena suspensa.
A família de Fábio vai agora entrar com um pedido de indemnização à seguradora, num valor nunca inferior a 50 mil euros. "Mas o dinheiro não vai trazer o meu filho de volta", diz Salomé, que não acredita na Justiça, que deixou em liberdade o homem que lhe matou o filho.
Era tudo quase irreal. Tiago até a tinha acompanhado ao programa ‘Boa Tarde’, da SIC, à procura de pistas. Mostrou-se abalado, omitiu a sua culpa. Nem sequer durante o julgamento contou o que sucedeu.
O caso só foi descoberto porque Sérgio Pinto, que também seguia no carro, teve uma zanga com Tiago e denunciou-o à PJ. Diana, mulher de Tiago, confirmou tudo em tribunal.
Tudo aconteceu a 5 de junho de 2011. Pelas 07h00, Fábio saiu de bicicleta de casa da namorada e ia trabalhar. Na rua do Tronco, na Foz do Sousa, o jovem foi violentamente atropelado. Foi projetado, sofreu graves lesões internas e ficou em morte cerebral.
O jovem terá também sido arrastado para uns arbustos e a bicicleta ficou abandonada na berma. Antes de chamar os bombeiros, Tiago acordou Diana e Sérgio. Foram os três ao funeral da vítima. n
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