Prostituta condenada a 14 anos de prisão
O Tribunal da Covilhã condenou nesta quarta-feira a 14 anos de prisão uma prostituta que conduziu esquemas de extorsão, burla e outros crimes, juntamente com o seu companheiro e um chefe de polícia, igualmente condenados a prisão efetiva.<br/><br/>
Janete Pires, brasileira, de 39 anos, foi condenada pelos crimes de extorsão, lenocínio, burla (uma delas qualificada) e falsificação de documentos.
O namorado, Ricardo Madaleno, português, de 33 anos, cantoneiro na Câmara da Covilhã, foi sentenciado com seis anos e oito meses de prisão pelos crimes de extorsão continuada e falsificação.
O chefe da PSP [suspenso de funções] Francisco Casteleiro, 55 anos, foi condenado a quatro anos de prisão, por falsificação e burla na forma tentada.
Os advogados dos três arguidos anunciaram, após a leitura do acórdão, que vão recorrer da decisão.
Aos outros sete arguidos no processo foram aplicadas penas suspensas e multas.
Segundo o acórdão, Janete seduzia homens com dinheiro, para depois o grupo os chantagearem, recorrendo a várias práticas ilícitas, sendo que uma das vítimas terá perdido 400 mil euros.
O tribunal foi especialmente acutilante com a mulher, classificando-a como uma "grande burlona e falsificadora", uma pessoa "manipuladora", "ambiciosa" e com "grande poder de persuasão".
"Tirou quase tudo das vítimas", considerou o coletivo de juízes, sublinhando a gravidade e quantidade dos crimes e o facto de já ter antecedentes semelhantes em Portugal e no Brasil, país onde ainda terá também uma pena de prisão para cumprir.
Paulo Gueifão, advogado de Janete Pires, disse à agência Lusa que vai recorrer da sentença, referindo ter "vários motivos para o fazer".
O tribunal considerou também muito grave a atuação de Francisco Casteleiro, especialmente por ser chefe de polícia e por ser reincidente no crime de falsificação, pelo qual já tinha sido condenado, com pena suspensa, em 2007.
Para o coletivo de juízes, trata-se de "uma pessoa que se considera acima da lei e da justiça e está na altura de inverter decididamente esse caminho".
Jorge Gaspar, advogado do chefe de polícia, referiu que o seu cliente se sente "injustiçado" e que o tribunal agiu como se não houvesse "presunção de inocência", justificando assim o recurso da decisão.
O acórdão considera "grave" a conduta de Ricardo Madaleno, considerando que os crimes praticados exigiram "planeamento", alegando que "não foi uma coisa caída do céu".
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