Prostitutas chantageadas
A bomba que explodiu à entrada de um apartamento conotado com a prostituição, em Tomar, na madrugada de quinta-feira, poderá ter sido colocada por alguém que quer controlar o negócio e forçar as mulheres a pagar-lhe comissões. Esta é a hipótese mais forte colocada, neste momento, pelas autoridades policiais, uma vez que o primeiro atentado ocorreu três dias depois das mulheres se instalarem.<br/><br/>
"Juntando os dois casos, percebe-se que só poderá ser obra de alguém a querer controlar o negócio, que fez um primeiro aviso – incendiando o tapete de entrada – e agora repetiu a ameaça", disse ontem uma fonte policial, defendendo que "dificilmente será obra de um cliente insatisfeito" ou de alguém que quer ‘limpar’ a cidade da prostituição. Mas estas possibilidades ainda não foram descartadas pelos investigadores.
A investigação está a cargo da PJ de Coimbra, que se encontra a analisar os vestígios e a compará-los com os das anteriores explosões, também junto a casas conotadas com a prostituição. O objectivo é perceber se as três situações estão relacionadas.
A arrendatária do apartamento alvo dos últimos atentados, uma brasileira de 40 anos, já disse ao senhorio que não pretende deixá-lo. Ausentou-se por uns dias, por ter uma viagem marcada para França, mas pretende voltar e cumprir o contrato de arrendamento por três anos, que assinou em Fevereiro.
"Ela diz que não se vai embora e eu não a posso pôr na rua", disse o senhorio, Carlos Neves, adiantando que está "metido num colete de forças". Os prejuízos ainda não estão apurados, mas os 14 moradores já pernoitaram em casa. "Estamos a fazer o levantamento para apresentar uma listagem conjunta ao seguro", disse Margarida Lousã, administradora do condomínio.
Na explosão anterior, em Janeiro, também na entrada de um apartamento conotado com a prostituição, o condómino com prejuízos mais elevados (mais de dois mil euros) teve de suportar as despesas. "Foi tudo pago à nossa custa, o seguro não assumiu nada", disse Manuel Basílio, adiantando que "nunca se chegou a saber quem foi o culpado".
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