“Provarei a minha inocência”

As árvores morrem de pé e não vou morrer de braços cruzados. Eu estou inocente, aceite ou não, e vou mostrar isso, demore o tempo que demorar", afirmou ontem Maria das Dores no regresso à Boa-Hora, Lisboa, depois de ouvir a explicação das psicólogas da Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS), que fizeram a perícia à sua personalidade.

28 de outubro de 2008 às 00:30
“Provarei a minha inocência” Foto: Manuel Moreira
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Condenada a 23 anos de prisão por mandar matar o marido, a Relação mandou reabrir a audiência para serem ouvidas as peritas, que lhe apontam traços de psicopatia.

Visivelmente mais magra e abatida, a socialite só ontem de manhã ficou a conhecer as características que permitiram concluir que encaixa no perfil de psicopata moderado. Contrariando a frieza enumerada pelas peritas como sendo um traço de psicopatia – por não ter chorado a morte do marido Paulo Pereira da Cruz, desvalorizando-a –, ontem emocionou-se. Ao reclamar inocência, deixou a sala com lágrimas nos olhos.

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A audiência, reaberta pelo juiz Carlos Alexandre a pedido da defesa da socialite, serviu para Ana Rolo e Isabel Santos esclarecerem os advogados Brito Ventura e Fernando Carvalhal relativamente ao modo como fizeram a perícia à personalidade da arguida. Esclarecida, a defesa optou por não pedir uma nova perícia.

Definida como egocêntrica, portadora de uma frieza afectiva, manipuladora, uma pessoa com uma visão inflacionada dos seus valores e capacidades com tendência excessiva em controlar a hostilidade, Maria foi ainda acusada de mentir sobre a vida pessoal durante as perícias. Nomeadamente, ao afirmar que a irmã era inspectora da PJ de Portimão, quando é administrativa na polícia.

Maria desmentiu ontem que mantém uma relação distante com a irmã Vanda, contrariando as psicólogas. "Tenho bom relacionamento com a minha irmã e é ela que me manda dinheiro para sobreviver. Tiraram--me tudo, excepto as chaves do túmulo do meu marido."

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PORMENORES

QUATRO ENTREVISTADOS

A perícia foi feita também com base em entrevistas a dois amigos da arguida, Ana Graça e José Correia, à irmã Vanda Alpalhão e ao filho mais velho, David Mota – que não apareceu ontem na audiência.

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EXCESSO DE PREVENTIVA

Maria das Dores pode ser libertada por excesso de prisão preventiva em Fevereiro de 2009, se forem contabilizados os quatro meses em que esteve no Hospital Prisional de Caxias. Se forem ignorados, pode sair da cadeia em Junho.

‘CRUELA DOS OLIVAIS’

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A perita Isabel Santos revelou ontem que, numa das entrevistas, a socialite descreveu a sogra Maria Manuel como uma "miserável" a quem chamava ‘Cruela dos Olivais’.

LEITURA DO ACÓRDÃO

Um acórdão sobre a audição das peritas será lido a 3 de Novembro. Só nessa altura se vai saber se há relevância para alterar ou não a decisão da condenação.

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