PSP faz buscas na PJ

O trabalho de um detective privado contou, durante semanas, com a ajuda de um inspector que usou uma viatura e máquinas fotográficas da Polícia Judiciária (PJ) para a realização de vigilâncias. Quatro agentes da PSP faziam o mesmo. A rede de investigação privada incluía ainda três funcionários de operadoras móveis de telecomunicações. <br/><br/>

05 de julho de 2008 às 21:30
PSP faz buscas na PJ Foto: José Barradas
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O grupo foi desmascarado quando vigiava uma mulher que, após o fim de um relacionamento, se queixou à PSP, alegando perseguição do ex--namorado. A 6ª Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP pegou no inquérito e localizou o detective privado.

Contratado pelo ex-namorado da queixosa, o investigador contou com a ajuda dos ‘amigos polícias’. Um operacional do Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica (DCICPT) usou meios da PJ para seguir a mulher.

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Quatro agentes da PSP de Lisboa complementaram este trabalho. Três funcionários de operadoras móveis de telecomunicações, ajudavam a localizar a jovem, através do telemóvel.

A 26 de Junho, a PSP efectuou uma busca à secretária do inspector do DCICPT, que funciona nas instalações da Direcção Nacional da PJ, assim como à residência do operacional. Foram apreendidas inúmeras provas que incriminam os oito elementos desta rede, constituídos arguidos pelos crimes de peculato de uso, devassa da vida privada e falsificação de documento.

'FANTASMAS' FAZEM ESCUTAS E VIGILÂNCIAS

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Quando uma directoria da Polícia Judiciária (PJ) inicia uma investigação, sabe que pode contar com os ‘fantasmas’. O Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica (DCICPT) tem como missão ' assegurar a gestão nacional da informação criminal'. Por outras palavras, os ‘fantasmas’ (alcunha interna dos operacionais do DCICPT) asseguram a realização de escutas telefónicas e vigilâncias a suspeitos. Caso seja necessário, são estes os elementos que fazem a difusão de alertas aduaneiros ou aeroportuários. Compete também ao DCICPT disponibilizar informação relativa a pessoas ou organizações criminosas, fazendo chegar a informação a outras polícias. Os ‘fantasmas’ tratam ainda da recolha e tratamento de vestígios biológicos fundamentais para investigações.

MINISTRO ACEITA SUSPENSÃO

Alberto Costa, ministro da Justiça, aceitou a proposta de Almeida Rodrigues para suspender o agente da PJ mal terminaram as buscas aos seus bens pessoais e aos que tinha no local de trabalho. 'Esta direcção é intolerante relativamente a desvios de comportamento por parte de qualquer funcionário', disse uma fonte ao CM, realçando que foram tomadas outras medidas. A brigada onde o inspector trabalhava foi extinta. João Carreira, que chefiava o DCICPT e que acumulava funções na Directoria de Lisboa, foi colocado a tempo inteiro neste departamento para melhor o controlar.

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PORMENORES

TELEMÓVEL

Os três funcionários de operadoras móveis forneciam ao detective dados sobre a localização da queixosa, através das chamadas de telemóvel efectuadas.

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CHAT DE INTERNET

A queixosa e o ex-namorado iniciaram o relacionamento amoroso num chat de conversação, na internet.

MOLDURA PENAL

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Os polícias feitos arguidos neste processo são suspeitos de peculato de uso (punível até um ano de cadeia ou 120 dias de multa) e devassa da vida privada (punível com um ano de prisão ou 240 dias de multa).

 

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