Quatro colegas dos instruendos mortos nos Comandos investigados por declarações falsas

Em tribunal, os soldados alegaram não se lembrar do que tinham dito e não relataram os eventos da mesma maneira que o tinham feito na fase de inquérito.

09 de março de 2019 às 13:27
Hugo Abreu, Ricardo Sá Fernandes, Ministério Público, Estado Foto: Direitos Reservados
Hugo Abreu tinha 20 anos Foto: Direitos Reservados
Hugo Abreu Foto: Facebook
Dylan Silva, Ponte de Lima, Alcochete, Hugo Abreu, Hospital Curry Cabral, Lisboa Foto: Facebook
Dylan Silva, Ponte de Lima, Alcochete, Hugo Abreu, Hospital Curry Cabral, Lisboa Foto: Direitos Reservados

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Quatro instruendos que participaram no curso 127 dos Comandos, durante o qual morreram Hugo Abreu e Dylan da Silva, estão a ser investigados por declarações falsas proferidas em tribunal.

Três destes elementos integravam o grupo de Hugo, o jovem que morreu no dia 4 de setembro de 2016, durante a realização da Prova Zero, no Campo de Tiro de Alcochete. O outro soldado fazia parte do pelotão de Dylan, internado nesse mesmo dia e que morreu uma semana depois no Hospital Curry Cabral.

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Segundo o Público, o procurador José Niza e a magistrada que o substituiu, Isabel Lima, pediram a abertura de inquéritos-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. Os quatro instruendos foram determinantes para sustentar a acusação, ao relatarem episódios decorridos no primeiro dia da instrução. Em tribunal, os soldados – que continuam militares, mas não nos Comandos - alegaram não se lembrar do que tinham dito e não relataram os eventos da mesma maneira que o tinham feito na fase de inquérito.

Um outro elemento também na mira do Ministério Público, negou recentemente em tribunal, avança o mesmo jornal, ter dito na fase de inquérito que desistira de ser Comando por "não se sentir seguro em fazer o curso, em que os instrutores demonstram não zelar ela vida dos seus instruendos".

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Recorde-se que, recentemente, foi noticiado que um ex-comandante do Regimento dos Comandos foi constituído arguido por falsificação de provas. O coronel Filipe Carvalho Dores Moreira, , que liderava o Regimento de Comandos quando os dois instruendos Hugo Abreu e Dylan da Silva morreram, já estava a ser investigado por dois crimes no mesmo inquérito: insubordinação por desobediência e abuso de autoridade por prisão ilegal.

Dores Moreira terá falsificado um Guião da Prova Zero que o coronel entregou à investigação (relativa às mortes) dirigida pela procuradora Cândida Vilar, com a colaboração da Polícia Judiciária Militar.

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