Quatro 'influenciadores' filmam violação de menor, mas escondem-se no tribunal
Jovens julgados por forçarem jovem de 16 anos a sexo em grupo, agressões e pornografia de menores depois de publicarem vídeo do crime. Sessões são à porta fechada.
Nas redes sociais mostravam tudo para quem quisesse ver - até a violação e as agressões a uma menor de 16 anos. Mas na primeira sessão de julgamento, os quatro ‘influenciadores’ - denominados desta forma por terem alguns milhares de seguidores no TikTok e plataformas similares - preferiram esconder-se à entrada do Tribunal de Loures. E beneficiam da lei portuguesa, que para proteger a vítima determina que casos deste género sejam julgados à porta fechada.
Os quatro ‘influenciadores’ estão a ser julgados por violação agravada, quatro crimes de ofensa à integridade física e 27 crimes de pornografia de menores - um por cada vídeo que fizeram e publicaram depois de levar a vítima para uma garagem e a terem forçado a atos sexuais. Têm entre 18 e 21 anos. O caso remonta a 12 de fevereiro de 2025 e foi denunciado pelo Hospital Beatriz Ângelo, onde a jovem foi assistida depois da violação e os médicos se aperceberem das marcas no corpo.
De acordo com o Ministério Público, o encontro foi previamente combinado entre a jovem e os arguidos, que apenas conhecia do TikTok. Num jardim em Santo António dos Cavaleiros e após alguns contactos consensuais, os quatro ‘influenciadores’ levaram a vítima para uma garagem. A menor ainda dançou seminua para o grupo, mas quando pediu para pararem foi agredida. Os quatro arguidos foram detidos dias depois pela Polícia Judiciária, mas libertados.
Saiba mais
Vítima 50 mil euros de indemnização
A jovem vítima tem agora 17 anos, teve de mudar de escola após a divulgação dos vídeos em que era abusada e reprovou no final do ano letivo. Prestou declarações para memória futura e pede 50 mil euros de indemnização.
Agressores em liberdade
Apesar dos vídeos, os quatro violadores foram libertados pelo tribunal, mas estão obrigados a apresentações na esquadra da área de residência. Terão reativado recentemente as contas nas redes sociais. Alegam que tudo foi consentido.
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