“Que ninguém passe pelo que eu passei”: Ana Miguel foi vítima de bullying durante anos
Tudo mudou quando entrou para a Marinha. Toda a história para ver este domingo no ‘Grande Jornal’ da hora do almoço.
“Cheguei a pensar que merecia”, diz Ana Miguel, de frente para o liceu onde durante 5 anos sofreu de bullying. Os insultos aconteciam nos corredores, no pátio, à saída. Durante a adolescência aprendeu a sobreviver em silêncio. Agora, fala sobre o bullying em escolas e auditórios por todo o País, através do projeto ‘Comigo nunca mais’. “Se não tivesse sofrido de bullying, talvez tivesse ganhado confiança mais cedo. Talvez não tivesse precisado de tanta terapia”, afirma.
Nasceu em Setúbal e recorda a infância com carinho. O mesmo não acontece quando fala do liceu. “Eram quatro. Massacravam-me sem razão.” Chamavam-na de “gorda”, “feia”, “caixa de óculos”. Houve também agressões físicas. Nos intervalos, escondia-se na casa de banho para evitar cruzar-se com os agressores. Muitas vezes chegava atrasada de propósito para não ser vista. “O meu grupo de amigos nem imaginava o que eu passava. Eu fingia bem”, conta. Também não dizia aos pais, porque “não queria preocupá-los”. “Sempre achei que era feia e ainda sofro da síndrome do impostor”, diz. A ansiedade acumulou-se ao longo do tempo e houve até momentos em que chegou a acreditar que merecia o que lhe acontecia. Mas a vida mudou aos 17 anos quando entrou para a Marinha. Escolheu a especialidade de mecânica e chegou a primeira-marinheira. Mais tarde, concorreu à Polícia Marítima, onde trabalha até hoje. Aos 21 anos era a agente mais nova do País. Aos 35 anos voltou a estudar e entrou na licenciatura em Psicologia. Em 2024, criou o projeto de apoio a vítimas de violência - nas várias formas - em que dá palestras sobre bullying e ouve histórias de jovens. “Não quero que ninguém passe pelo que eu passei.”
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