QUERO SER COMANDO
“Sim, quero!” A resposta, em voz alta, quase um grito, seguiu-se à pergunta: “Queres ser Comando?” Tal manifestação de empenho foi, porventura, o momento mais emotivo da cerimónia de encerramento do centésimo Curso de Qualificação “Comando”, que ontem decorreu no Regimento de Infantaria n.º1, na Carregueira, em Queluz, marcando, ao mesmo tempo, o regresso desta unidade de elite do Exército Português, após a extinção, em 1993.
Alguns de entre os militares que terminaram o curso – 120, após desistências e eliminações – sublinharam ao CM o significado simbólico daquele, uma vez que, sendo o centésimo é, simultaneamente, o primeiro desde a extinção da especialidade, há nove anos, agora reactivada.
O soldado Carlos Borges contava-se entre os mais entusiastas do ‘regresso’, pois, desta forma, pôde concretizar “um sonho antigo”. Ostentava já a boina vermelha, símbolo principal da unidade, e a insígnia dos Comandos, impostas durante a cerimónia, que atraiu à Carregueira familiares e amigos dos instruendos, bem como elementos de antigas companhias, que ontem testemunharam a formação da 1.ª Companhia de Comandos, incorporando os militares do centésimo curso.
MILITARES ANGOLANOS
Antes, sob uma chuva miudinha que não há-de molhar ‘boina vermelha’, fora lido o Código “Comando”, no qual é dito que este “ama devotamente a sua Pátria, estando sempre pronto a fazer por ela todos os sacrifícios”, bem como que “pratica a camaradagem e procura assegurar a solidariedade moral entre todos os seus irmãos de armas, mas não aceita a indignidade, nem a desobediência, nem o desrespeito pelas regras da disciplina e da honra”.
Iniciado a 16 de Setembro e desenvolvido em três fases – individual, equipa e grupo – o centésimo Curso de Qualificação “Comando” revestiu particular significado para seis militares das Forças Armadas Angolanas, três oficiais e três sargentos, que puderam frequentá-lo ao abrigo da cooperação militar entre os dois países e nele tiveram aproveitamento.
O próximo curso para a especialidade Comando inicia-se a 3 de Fevereiro de 2003, naquele regimento.
MÁRIO MAIA, 31 ANOS, CAPITÃO
A família e os amigos multiplicavam-se em abraços e saudações ao capitão Mário Maia, que afirmou sentir “o peso da responsabilidade” associado ao estatuto de força militar de elite. A nível pessoal, tratou-se da “concretização de um sonho de há muitos anos”. “Queria entrar no 99.º curso, em Lamego, mas não foi possível na altura”, disse o militar ao CM, que acabou por integrar um curso de número redondo – o centésimo. Avaliando a formação recebida, salientou “a importância não só do treino físico, mas também psicológico”.
JOÃO HOSSI, 23 ANOS, CADETE
João Hossi é um dos seis elementos – três sargentos e três oficiais – das Forças Armadas Angolanas que ontem deram por terminado o Curso de Qualificação “Comando”, neste caso orientado para a instrução. Tal como os seus companheiros regressa hoje a Angola, levando na ‘bagagem’ técnicas de combate que deverá transmitir aos militares daquele país africano. Orgulhoso da boina vermelha, símbolo principal dos Comandos, João Hossi sublinhou a dureza do curso, que frequentou graças “a uma bolsa das Forças Armadas Angolanas”, considerando a aprendizagem “essencial”.
CARLOS BORGES, 22 ANOS, SOLDADO
Borges. O mais importante é o apelido. Deve ter sido por isso que, questionado sobre como se chamava, o soldado Borges não disse logo o primeiro nome ao CM. Carlos Borges mostrou-se orgulhoso de ter pertencido ao centésimo Curso de Qualificação “Comando”, que assinala o retorno ‘efectivo’ da unidade após a extinção, em 1993. “Os Comandos regressaram”, frisou o soldado, para quem o mais difícil na instrução foi a “semana invertida”. O xercício consiste em fazer de dia o que costuma fazer-se de noite e vice-versa.
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