RAPARIGAS TÊM MAIS DÚVIDAS SOBRE SEXO

As raparigas representam mais de 90 por cento dos atendimentos nos Gabinetes de Apoio à Sexualidade Juvenil (GASJ) do Instituto Português da Juventude (IPJ), aonde vão sobretudo porque têm medo de engravidar e querem tomar a pílula.

06 de outubro de 2003 às 00:00
RAPARIGAS TÊM MAIS DÚVIDAS SOBRE SEXO Foto: Arquivo CM
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Nos primeiros seis meses deste ano, os 15 gabinetes espalhados pelo País somaram 9856 atendimentos, 94,5 por cento referentes a utentes do sexo feminino. Em 2002, houve 19 330 atendimentos, dos quais apenas oito por cento a rapazes.

"Há dúvidas que as mulheres têm mais facilidade em expor", afirma a médica Clarisse Bento, do GASJ de Leiria, o primeiro a ser criado no País, admitindo que para os rapazes "é muito complicado" abordar certas questões quando não são atendidos por homens.

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Olhando os motivos do atendimento, no primeiro semestre deste ano, houve 3665 pedidos de informação sobre contracepção e gravidez (88,3 por cento) e 7070 pedidos de apoio sobre métodos contraceptivos (93,6 por cento).

Segundo Clarisse Bento, a vontade de tomar a pílula, relacionada com o medo de uma gravidez indesejada, é a principal razão destes pedidos.

"A maior parte das raparigas procuram-nos porque já iniciaram a vida sexual ou estão para iniciar e querem fazê-lo de um modo protegido", explicou a médica.

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Depois, numa percentagem quase residual, vêm as perguntas sobre as disfunções e práticas sexuais, a anatomia e a fisiologia, a orientação sexual e as doenças sexualmente transmissíveis.

Dos 9856 atendimentos efectuados entre Janeiro e Junho, os utentes dos 15 aos 19 anos representam 48,8 por cento e a faixa etária dos 20 aos 24 anos abrange 46,6 por cento.

A contracepção de emergência, conhecida por pílula do dia seguinte, levou aos GASJ apenas 202 jovens.

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JOVENS CONHECEM MAL O CORPO

O primeiro Gabinete de Apoio à Sexualidade Juvenil abriu em Leiria há cinco anos. A médica Clarisse Bento, presente desde a primeira hora, afirma que os jovens estão cada vez mais conscientes da sua sexualidade e mostram-se bem informados quanto às doenças sexualmente transmissíveis, mas têm muitas dúvidas e desconhecimento sobre o corpo, em ambos os sexos.

"Há aspectos básicos, relacionados com o funcionamento do aparelho reprodutor, por exemplo, que não têm adquiridos", diz. A educação sexual é obrigatória nas escolas desde 2000, mas, segundo Clarisse Bento, "não se vêem reflexos". Quando os jovens chegam ao gabinete, na maioria dos casos a preocupação é a toma da pílula, para evitar uma gravidez indesejada. Os técnicos lembram então a importância do preservativo para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis.

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"Aconselhamos sempre ao uso simultâneo dos dois métodos porque são complementares. É nos jovens que estas doenças se transmitem mais", refere Clarisse Bento. O gabinete de Leiria abre à segunda e quarta-feira entre as 15h00 e as 18h00, primando pela tolerância. "O nosso papel é ajudá-los a reflectir", explica a médica.

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