Rede julgada por importar cocaína vinda da República Dominicana

Cocaína vinha escondida em peles de animais. Operação envolveu PJ e autoridades estrangeiras.

21 de outubro de 2026 às 01:30
Julgamento decorre no tribunal de Santarém Foto: Vítor Neno
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O tribunal de Santarém está a julgar um cidadão espanhol e dois empresários, um de Santarém e o outro de Alcanena. São suspeitos de pertencer a uma rede internacional de tráfico de estupefacientes que trazia cocaína da República Dominicana para introduzir no mercado europeu.

Os três arguidos, com idades entre os 50 e os 53 anos, estão acusados pelo Ministério Público (MP) pelos crimes de tráfico de estupefacientes e associação criminosa, depois de terem sido detidos em duas operações em que a PJ apreendeu cerca de 675 kg de cocaína, no valor de milhões de euros.

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Segundo a acusação, a que o CM teve acesso, os empresários usavam uma empresa de fachada com sede em Alcanena para importar por via marítima peles e curtumes da República Dominicana. A droga vinha dissimulada no interior da carga dos contentores.

O MP sustenta que a droga era transformada e preparada em Portugal, seguindo depois para Espanha e outros países europeus através de uma rede que operava a partir de Barcelona, destino da cocaína apreendida em solo nacional.

O arguido espanhol, que tinha a seu cargo a distribuição, foi apanhado numa operação que a PJ realizou na praça das portagens de Santo Tirso em dezembro de 2024, quando transportava num compartimento falso de carrinha de mercadorias 76 placas de cocaína, com um peso aproximado de 80 kg e um valor na ordem dos 2,4 milhões de euros.

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A grande apreensão ocorreu em junho de 2025, num armazém que os empresários ribatejanos tinham arrendado em Gouxaria, no concelho de Alcanena, onde chegaram dois contentores com um total de 595 quilos de cocaína, o suficiente para 1 842 102 doses individuais.

A carga ilícita, que veio num navio proveniente da República Dominicana dissimulada em fardos de peles, já tinha sido detetada no Porto de Leixões, de onde a PJ controlou as operações de transporte até ao seu destino final em Alcanena, e procedeu às detenções.

Neste processo, o MP pede ainda a perda ampliada de bens a favor do Estado, ou seja, a devolução dos rendimentos ilícitos que os dois empresários alcançaram através das suas atividades criminosas.

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Segundo a acusação, o arguido de Santarém obteve cerca de 1,7 milhões de euros, ao passo que o de Alcanena tem a devolver cerca de 47 mil euros. No total, após várias buscas, as autoridades detiveram 19 suspeitos e apreenderam cerca de 2,3 toneladas de cocaína dissimulada em peles de animais, um método de transporte até aí desconhecido.

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