Revolta no adeus a Andreia e Nádia (COM VÍDEO)
Eram muitas crianças e jovens usando o traje dos escuteiros. Distribuíram rosas brancas e homenagearam Nádia, a menina de oito anos morta pelo pai, na passada sexta-feira, em Nine, Famalicão. A criança foi ontem a enterrar junto da mãe, que tentou proteger. Os corpos de Nádia e Andreia desceram à terra, envoltos pelos gritos dos familiares. Revolta era o sentimento dominante, numa cerimónia marcada pela dor.
O funeral terminou já tinha anoitecido. As cerimónias foram atrasadas algumas horas para permitir que os funerais fossem conjuntos. Andreia ainda tinha resistido alguns dias, depois de o marido a ter atingido a tiro na cabeça. Nádia morreu logo, agarrada à mãe que viu ser baleada. Tentou protegê-la e antes de se suicidar, o pai assassinou-a. À queima-roupa.
"Não percebo. Nunca desconfiei de nada disto, é muito injusto", gritava Margarida Ferreira, de 76 anos, bisavó de Nádia, entre soluços. A mãe de Andreia não resistiu à emoção e teve mesmo de ser retirada do local.
O padre António Lopes, que rezou a missa nos funerais, pediu a todos que tivessem calma. Ambas estavam agora em paz e apenas tinham terminado a sua passagem na vida terrena.
No funeral não compareceram os familiares de Hélio Carneiro, o assassino anteontem enterrado. O avô de Nádia esteve na capela horas antes, para se poder despedir da neta. Não ficou para o funeral, para evitar tensões entre as famílias.
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