REZEI A ALEXANDRINA E ELA CUROU-ME

O Vaticano acaba de reconhecer o milagre da cura de Madalena Fonseca, que sofreu de doença de Parkinson e rezou à Venerável Alexandrina, de Balasar, Póvoa de Varzim. Depois de clínicos franceses e portugueses, os médicos da Santa Sé chegaram à conclusão de que é cientificamente inexplicável a cura de Madalena Fonseca, que tem hoje 58 anos e reside em Esmeriz, Vila Nova de Famalicão.

20 de junho de 2003 às 00:00
REZEI A ALEXANDRINA E ELA CUROU-ME Foto: mário fernandes
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"Depois de 12 anos acamada, sem que os médicos conseguissem sequer travar ou reduzir a evolução da doença, Deus curou-me num dia", afirmou ontem ao CM Madalena Fonseca, visivelmente satisfeita pela boa progressão do processo de reconhecimento do milagre de Alexandrina de Balasar, que poderá ser beatificada a 18 de Outubro, conjuntamente com Madre Teresa de Calcutá.

A cura ocorreu a 3 de Março de 1996. Madalena já estava acamada em França, para onde foi trabalhar aos 27 anos, com o marido e o seus três filhos. Quando se preparava para guardar um quadro de Alexandrina de Balasar - que um irmão lhe tinha levado - decidiu fazer mais um pedido: "Se é que a Vossa Serva Alexandrina se encontra junto de Vós, fazei, pela sua intercessão, para Vossa glória e para a glorificação de Alexan-drina neste mundo, que eu sare".

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Como dizia no quadro da 'Santa de Balasar', Maria Madalena Azevedo Gomes Fonseca cumpriu uma novena (reza do terço durante nove dias consecutivos), após o que aconteceu o "cientificamente inexplicável".

"Já lá vão sete anos. Daquele dia, não me lembro de quase nada, apenas de ter recebido a Sagrada Eucaristia quando eram 15h30. A minha família diz que estive tão doente que o médico foi várias vezes a casa, até que disse que não podia fazer mais nada. Mas à noite fiquei curada. Senti que me tocaram e, a partir daí, recordo-me de tudo. Vi à minha frente o meu cunhado, uma irmã e uma sobrinha. Perguntei se estava a estorvar. O meu cunhado respondeu que não. Disse que eu não estava bem e que já vinha uma ambulância para me levar para o hospital", contou a ex-emigrante, que de seguida respondeu ao cunhado: "Você não está bom da cabeça. Eu estou bem".

Madalena sentiu então uma força que a levou a levantar-se, andar e fazer todos os movimentos. "Os músculos estavam soltos", refere, acrescentando que, hoje, se sente com saúde como se tivesse menos de 30 anos. l

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O INTERROGATÓRIO FOI TERRÍVEL

No âmbito do processo de beatificação de Alexandrina de Balasar, Madalena Fonseca teve de ser interrogada por especialistas clínicos e eclesiásticos em Braga e no Vaticano. "Foram interrogatórios terríveis", recorda a ex-emigrante, referindo de seguida que "já recuperou". Fonte ligada ao processo adiantou que no final dos interrogatórios Madalena acabou por pedir que não a importunassem mais, em face da intensa pressão a que é sujeita a pessoa interrogada nestes casos. "É pior que no DIAP", comentou a mesma fonte.

Nos interrogatórios, Madalena Fonseca foi sobretudo alvo do recalcamento das questões, com todos os pormenores possíveis. No entanto, as respostas foram basicamente da vida pessoal, já que a questão científica diz respeito aos médicos, que apontaram sempre para um milagre. "Tive sempre fé que ia sarar. Sempre o disse ao médico, em França, apesar do desânimo dele, que garantiu que com o meu caso nunca ninguém no mundo se tinha curado. Já na minha fase terminal, repeti-lhe a minha fé, ao que ele me tocou nas costas e perguntou se eu acreditava no Pai Natal", lembrou. Diz que nunca pediu por ela própria. Pedia a Deus que a curasse para ajudar a irmã (que cuidava dela), a nora (com uma filha doente) e as pessoas doentes em cujas casas antes fazia limpeza e outros trabalhos domésticos.

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