ROLETA RUSSA COM POLÍCIA

Tudo se passou tão depressa, que ninguém percebeu muito bem. A única coisa que a PSP de Lisboa sabe é que um agente seu, vestido à civil, quase morreu quando um indivíduo lhe apontou, perto de uma discoteca, um revólver à cabeça, tendo chegado a fazer um disparo. A arma estava carregada, mas a sorte ditou que quando o gatilho foi pressionado, não houvesse qualquer bala no tambor.

14 de agosto de 2004 às 00:00
ROLETA RUSSA COM POLÍCIA Foto: Jorge Paula
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O agente em causa tem 27 anos, e está colocado na 3.ª Divisão da PSP de Lisboa, prestando serviço na esquadra de Campolide. Depois de uma noite passada na companhia de três homens e uma mulher, todos colegas de profissão, numa discoteca das Docas de Lisboa, o profissional da PSP dirigiu-se, pelas 05h30, a uma barraca de venda de cachorros.

"Ele estava na fila, como as outras pessoas, quando surgiu um homem de 22 anos, que lhe perguntou se era ali que se compravam cachorros", explicou ao CM uma fonte policial.

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A resposta afirmativa do polícia, em vez de levar o indivíduo a colocar-se na fila, motivou-o, inexplicavelmente, a começar a insultar o agente da autoridade. "Para além de palavras feias contra o polícia, o indivíduo chegou a agredi-lo ligeiramente na cabeça. A tudo isto, o agente respondeu com palavras de paziguamento", referiu o mesmo informador.

Já depois de comprar o cachorro que desejava, a vítima dos insultos deslocou-se para junto dos colegas. No entanto, tal não fez parar as agressões. "Visivelmente alcoolizado, o indivíduo manteve a perseguição, mesmo em frente aos colegas do agente à civil", salientou.

Foi então que o inesperado aconteceu. Fazendo questão de mostrar ao polícia que estava armado, o indivíduo sacou, de repente, de um revólver, calibre .357, que trazia escondido nas roupas. "Ele apontou a arma à cabeça do profissional da PSP e carregou no gatilho. A detonação não aconteceu, porque não havia qualquer bala no tambor", concluiu o informador.

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O agressor foi de imediato detido e levado à esquadra do Calvário.

ARMA ESTAVA EM BOAS CONDIÇÕES

Consumada a detenção do agressor, os agentes da autoridade puderam passar revista à arma usada na tentativa de homicídio. E os resultados foram surpreendentes. "O revólver não estava legalizado, mas estava bem tratado. Tinha espaço para seis munições, mas na altura estava apenas carregado com cinco", explicou fonte policial. A forma de agir do indivíduo mostrou perfeito conhecimento da arma.

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"Não duvidamos que ele, ao carregar no gatilho, sabia perfeitamente que não tinha uma bala no tambor. Talvez quisesse só assustar", acrescentou. O agressor foi, na tarde de ontem, presente ao Tribunal de Instrução Criminal, acusado, segundo apurou o CM, de tentativa de homicídio.

CABEÇADA

Um guarda da GNR de Viana do Castelo foi agredido à cabeçada, no dia 1 de Julho, quando tentava acalmar um pescador de 35 anos, que provocava desacatos num restaurante.

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NO CHÃO

Um agente da PSP de Loures foi agredido, no dia 8 de Junho, quando participa numa acção de despejo na Quinta do Mocho, em Loures. O agente foi agredido e atirado ao chão.

MORDIDO

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Um homem de 40 anos, infectado com o vírus da hepatite C, mordeu, na madrugada do dia 31 de Março, a mão de um agente da PSP que o tentava deter em Belém, Lisboa.

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