Roubos a catana e cutelo
Dois homens, de 39 e 42 anos, suspeitos da prática de pelo menos nove assaltos a estabelecimentos comerciais de Lisboa, foram detidos pela PSP. Os assaltantes, ambos toxicodependentes, andaram durante dois meses a ameaçar as vítimas, algumas das quais idosas, armados de catana e cutelo.
As investigações policiais, a cargo da 5.ª Esquadra da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP de Lisboa, foram desencadeadas na sequência de queixas apresentadas na esquadras de Arroios e Olaias.
“As nove denúncias recolhidas delimitaram o local de acção dos indivíduos à área compreendida entre a Praça do Chile e o Alto de São João, com algumas ocorrências nas Olaias”, disse ao Correio da Manhã fonte policial.
De meados de Dezembro até à última segunda-feira, segundo fonte policial, os dois ladrões assaltaram cinco farmácias, uma papelaria, uma residencial, um salão de cabeleireiro e um pronto-a-vestir.
Em todos os crimes mostraram “grande frieza de sentimentos e chegaram agredir funcionários menos colaborantes”, garante a mesma fonte.
Os dois suspeitos entravam nos estabelecimentos em horário de funcionamento. Um deles dirigia-se para o interior do balcão, e apontava a catana aos funcionários, que se viam assim obrigados a entregar todo o dinheiro. O segundo assaltante roubava os clientes que estavam presentes, ameaçando-os com um cutelo.
Em alguns dos assaltos chegaram a ser ameaçados homens e mulheres com mais de 70 anos, que ficaram sem todos os seus pertences.
Ao princípio da tarde de segunda-feira, agentes da 5.ª Esquadra da DIC localizaram os dois suspeitos numa casa abandonada, perto do Cemitério do Alto de São João, pouco depois de estes terem assaltado um salão de cabeleireiro (ver caixa). A detenção ocorreu sem sobressaltos. Aos assaltantes foram apreendidos uma catana, um cutelo, dois gorros e o dinheiro proveniente do último crime.
Conduzidos anteontem ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, onde foram interrogados, recolheram em prisão preventiva.
'SACARAM LOGO DAS ARMAS'
Manuela, uma das proprietárias de um salão de cabeleireiro na Avenida Afonso III, foi, segundo a PSP de Lisboa, uma das últimas vítimas dos dois ladrões da catana e do cutelo. Horas antes de terem sido detidos, os dois indivíduos estiveram no salão. “Nós tínhamos a porta encostada, quando entraram os dois homens, um deles encapuzado”, recorda Manuela ao Correio da Manhã. “Sacaram logo das armas. Um deles dirigiu-se primeiro a uma cliente. Com o cutelo apontado, ela própria abriu a carteira e deu cerca de 70 euros”, conta a cabeleireira. O outro assaltante, de catana em punho, abriu a caixa registadora de onde tirou 90 euros. Os dois homens refugiaram-se numa casa abandonada perto do Cemitério do Alto de São João, onde foram apanhados.
SEM CASA
Os dois ladrões não tinham residência fixa. Toxicodependentes há muitos anos, vagueavam pela área compreendida entre a Praça do Chile e o cemitério do Alto de São João.
MEDICAMENTOS
A PSP recolheu vários depoimentos de idosos que garantiram ter sido espoliados de todos os seus bens pelos dois ladrões. Ficaram até sem dinheiro para comprar medicamentos.
VÍTIMAS
Fonte policial frisou ao CM a importância dos depoimentos da vítimas, no trabalho que conduziu à detenção dos suspeitos. “Foi um excelente meio de recolha de informação”, disse.
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