Russos contra fogos

A compra de aviões russos de combate a incêndios, as aeronaves anfíbias BE-200, construídas pela Beriev, está no horizonte do Governo e foi um dos temas do encontro de ontem entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral e o seu homólogo russo, Serguei Lavrov.

19 de outubro de 2005 às 00:00
Partilhar

“Os russos é que suscitaram o interesse na venda destes aviões, face aos incêndios deste Verão. Nesse sentido o Ministério da Administração Interna pediu ao ministro Freitas do Amaral para abordar essa possibilidade, nesta sua visita a Moscovo”, disse ao CM fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Neste momento, o Governo português aguarda que as entidades russas façam uma proposta sobre a venda de um a três destes aviões, considerados como os mais modernos e de maior capacidade, a nível mundial. Posteriormente, essa proposta será analisada. A viabilizar-se a aquisição, o primeiro aparelho seria já adquirido em 2006 e os restantes em 2007.

Pub

Outro aspecto é o dos pilotos portugueses que venham a operar com estes aviões fazerem eventualmente uma qualificação na fábrica russa, o que dependerá uma cláusula própria. “Esta qualificação é muito rápida”, frisou uma fonte do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil.

BOAS CARACTERÍSTICAS

Na corrida para a aquisição de aeronaves pesadas de combate aos incêndios florestais, a Beriev, perfila--se assim ao lado da Canadair.

Pub

O preço das aeronaves pode ser semelhante: cerca de 30 milhões de euros, segundo os especialistas. No entanto, as condições de aquisição, características e versatilidade, podem definir as opções a tomar por Portugal.

Os principais trunfos da marca russa sobre a canadiana assentam no dobro da capacidade de água a transportar e uma velocidade máxima duas vezes e meia superior. Outro aspecto interessante é o dos motores de turbina que dotam a aeronave. Os motores originais, ucranianos, são de baixo consumo, mas podem ser substituídos por motores BMW/Rolls-Roice ou Allison GMA.

Podendo operar com água do mar, o BE-200 aguenta ondulação até 1,2 metros e em operação pode executar 25 saídas, a 10 quilómetros do reabastecimento de água e a 200 quilómetros do posto de reabastecimento, lançando 300 toneladas de água na zona de fogo. Também pode transportar equipas de bombeiros.

Pub

MULTAS SOBEM 40 POR CENTO

As coimas por falta de limpeza da floresta vão subir 40 por cento, para um máximo de 60 mil euros, garantiu ontem o ministro da Agricultura, Jaime Silva, que anunciou também que o Plano Nacional de Defesa das Florestas vai estar concluído dentro de duas semanas. O ministro espera também que cada município fixe um calendário de limpeza da sua área florestal, considerando que até agora nada não foi feito.

CANADAIR AINDA ESTÁ NA CORRIDA

Pub

A construtora canadiana Canadair oferece para o combate aos incêndios florestais o avião MP-415, com capacidade de transporte de mais de 6 mil litros de água, metade da capacidade do russo BE-200. O Canadair, também anfíbio, pode operar com um fundo de água mais reduzido (1.4 metros contra 2 metros), mas necessita de 1340 metros para realizar a operação de reabastecimento (mais 10 metros que o avião russo). Pode lançar 55 toneladas de água sobre a zona de fogo, mas o BE-200, pode largar 300 toneladas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar