“Se visse provas, lavava o carro”
José António está a ser julgado pelo atropelamento mortal do primo da ex-mulher. Depois do embate, voltou ao local, viu as ambulâncias, mas não parou
José António Soares admitiu, ontem, ao Tribunal de Oliveira de Azeméis que foi ele quem atropelou o primo da ex-mulher e fugiu, deixando-o morrer. José António, acusado de homicídio por negligência e omissão de auxílio, justificou que não se apercebeu que Orlando Gomes, de 46 anos, se encontrava deitado na estrada, argumentando que pensava ter passado por cima de pedras. A família da vítima reclama uma indemnização de 230 mil euros.
A situação ocorreu ao início da madrugada de 10 de dezembro de 2011, na rua FC Pinheirense, no Pinheiro da Bemposta, Oliveira de Azeméis.
"Pensei que tinha passado por cima de pedras. Só quando fizeram a perícia ao carro é que percebi que tinha sido eu quem o atropelou. As provas estão à vista", assumiu o padeiro, de 49 anos, após insistência do advogado da família da vítima, Leonardo Azevedo. "Depois do acidente, fui ver o carro e não me apercebi de qualquer dano, ou prova, senão tinha-o lavado e parafinado", acrescentou ainda o condutor, admitindo posteriormente que, depois do atropelamento mortal, voltou a passar perto do local e viu as ambulâncias, mas não parou.
"Soube da morte do Orlando mais tarde, mas não fui falar com a família porque não sabia como iriam reagir", referiu o arguido. José António foi identificado dias depois pela Brigada de Trânsito (BT) de S. João da Madeira. A juíza quer agora ouvir os bombeiros e um militar da BT que investigou o caso antes de o mesmo passar para a Polícia Judiciária do Porto. n
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