SG VENTIL E SG FILTRO TÊM PESTICIDA PROIBIDO NA EUROPA
A investigadora Maria Teresa Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, revelou ontem - a propósito do Dia Nacional do Não Fumador - o resultado de um estudo iniciado há um ano: Os cigarros SG Ventil e SG Filtro contêm dialdrin, um pesticida cancerígeno, cuja utilização está proibida na Europa e nos Estados Unidos.
Embora a investigação ainda esteja a decorrer, Teresa Vasconcelos explicou ao CM que se pretende identificar a composição do tabaco comercializado em Portugal. "Conhecem-se centenas de compostos químicos no tabaco, mas a do fumo ainda tem muito que descobrir".
A especialista em química analisou quatro marcas no total, no entanto, contrariamente às duas no centro da polémca, o Português (antigo Português Suave) e SG Gigante não revelaram até ao momento a presença do dialdrin, nem no tabaco, nem no fumo.
DGS VAI ANALISAR PARA AGIR
A Direcção-Geral de Saúde (DGS) está atenta à revelação da investigadora e vai "analisar toda a dimensão do caso para tomar as medidas de correcção adequadas", garantiu ao CM Francisco George, subdirector daquele organismo.
Entretanto, Nuno Jonet, director dos assuntos institucionais da Tabaqueira SA, que integra o grupo Philip Morris International, disse à Lusa desconhecer o estudo em causa, mas adiantou que o pesticida "não é certamente um componente que da responsabilidade da Tabaqueira, porque não cultiva tabaco".
O uso do pesticida dialdrin na agricultura e em qualquer outro sector foi proibido pela Convenção de Estocolmo em 2001.
O estudo recaiu sobre as quatro marcas em causa por serem as mais populares entre os fumadores portugueses. O que ainda torna a descoberta mais chocante, uma vez que, além de cancro, Teresa Vasconcelos alerta que a ingestão (mesmo em baixas quantidades) deste pesticida causa dores de cabeça, vómitos, irritabilidade, vertigens e movimentos musculares involuntários.
ESCOLA DE CHAVES DÁ EXEMPLO
O corte radical ao tabaco dentro dos portões da Escola António Granjo aconteceu no dia 31 de Maio de 2003. "Faltava pouco tempo para o final do ano escolar, Foi um teste, pensando implementar a regra obrigatória no ano lectivo de 2004. Curiosamente, após a interdição ao tabaco dentro da escola, tivemos menos dificuldades do que aquilo que esperávamos. Hoje, a António Granjo, é uma escola despoluida", explicou ao CM Luís Ricardo, vice-presidente do Conselho Executivo da Escola. O Ministério da Saúde distinguiu o estabelecimento como exemplar, por considerar que aqui a medida foi "implementada com todo o seu alcance".
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