Sharif escolhia alvos no Google Earth
Foi pela forma "séria e convincente" como falava ao telefone com os funcionários das instituições financeiras lesadas, nos EUA e na Europa, que Allan Guedes Sharif conseguiu convencê-los a passar para a sua mão 190 mil euros. Sem nunca sair de casa, nos arredores de Viseu, o luso--americano estudava as agências através do Google Earth, não deixando dúvidas às vítimas de conhecer os locais e saber o que fazia.<br/><br/>
Allan Guedes Sharif é descrito por uma fonte judicial como um criminoso 'brilhante' com 'extraordinários' conhecimentos de informática, que revelava 'profundo conhecimento dos locais para onde ligava, designadamente com recurso ao Google Earth'.
Com apenas 29 anos, o luso-americano contou com a ajuda de sete familiares, que estão acusados pelo Ministério Público de co-autoria de 28 crimes de branqueamento de capitais, burla e extorsão, alguns na forma tentada.
Para obter as transferências fraudulentas, fazia-se passar por técnico de manutenção das instituições financeiras e convencia os funcionários a fazerem 'testes informáticos' para corrigir supostas anomalias no sistema. Na primeira semana, de 6 a 11 de Agosto de 2007, conseguiu 21 transferências, num total de 36 mil euros.
Todos os dias telefonava para novos balcões da Western Union ou da Moneygram nos EUA, Reino Unido, Holanda e Dinamarca com o mesmo expediente, até que, ao fim de duas semanas e sem razão aparente, começou a ameaçar fazer explodir as instalações com bombas já colocadas e atacar funcionários com atiradores furtivos.
Os crimes continuaram até Dezembro de 2007 e depois disso Allan Guedes Sharif, com a ajuda de sete familiares, abriu várias contas bancárias em que dispersava o dinheiro obtido em dezenas de transferências monetárias fraudulentas. Parte do dinheiro foi posto ao dispor de várias empresas tituladas pelos cúmplices.
PORMENORES
ESPECIAL COMPLEXIDADE
Processo foi declarado como de especial complexidade por envolver autoridades de vários países.
CERTIDÕES EMITIDAS
Por falta de tempo (Sharif está em prisão preventiva desde Junho de 2008) alguns ilícitos estão noutros inquéritos.
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