Sindicato contra equipas de intervenção permanente nos bombeiros voluntários em Lisboa
Em causa está uma recomendação do PS pela criação de EIP nos corpos de bombeiros voluntários de Lisboa.
O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) manifestou esta quarta-feira "total discordância" com a criação de equipas de intervenção permanente (EIP) nos bombeiros voluntários da cidade, proposta pelo PS, alertando para o risco de sobreposição com os Sapadores.
"O STML não pode deixar de manifestar a sua total discordância com a proposta agora apresentada, de criação de EIP na cidade de Lisboa, por entender que a mesma não apresenta fundamentação suficiente para a melhoria significativa no socorro às populações e apoio à proteção civil, face ao modelo operacional já existente", avançou o sindicato, em comunicado.
Em causa está uma recomendação do PS pela criação de EIP nos corpos de bombeiros voluntários de Lisboa, proposta que estava agendada para ser discutida na reunião de terça-feira na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), mas passou para outra sessão.
O sindicato dos trabalhadores do município salientou que a cidade dispõe de um Regimento de Sapadores Bombeiros, "estrutura profissional permanente, altamente especializada e com responsabilidade direta na resposta operacional à cidade", que, vincou, tem garantido a eficácia do socorro.
Para o STML, esta proposta do PS/Lisboa levanta preocupações, como o "risco de sobreposição de estruturas operacionais no mesmo território", a "possível fragmentação da cadeia de comando e coordenação operacional" ou a eventual "duplicação de recursos, humanos e financeiros" para a mesma missão.
O sindicato considerou ainda que qualquer alteração ao modelo existente deve exigir uma avaliação técnica independente para acautelar o respeito pelos princípios da "boa administração pública, da racionalidade na afetação de recursos e do interesse público".
A estrutura representativa dos trabalhadores defendeu o reforço e a valorização do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, com melhoria das condições de trabalho, infraestruturas operacionais, equipamentos e capacidade operacional.
Na última reunião da AML, o presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Sapadores (SNBS), Ricardo Cunha, contestou, no período de intervenção aberto ao público, a proposta do PS, fazendo um apelo "à responsabilidade e, acima de tudo, à coerência política" dos deputados.
Também intervindo na reunião da AML, o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, expressou o "descontentamento" do RSB de Lisboa quanto à recomendação, considerando que tal "não tem enquadramento" no trabalho do RSB a nível do socorro que presta na cidade.
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