Só autocarro dá acesso à praia da Figueirinha

A praia da Figueirinha reabriu ontem com acesso apenas a autocarros. E só entre as 09h00 e as 19h00. Praia de eleição de Setúbal, onde a ausência de ondas dá mais tranquilidade às crianças, a Figueirinha permanece rodeada por um estaleiro imponente de obras que, até 28 de Julho, visa tornar segura a encosta e assim evitar as derrocadas que possam colocar em perigo a deslocação dos turistas pela estrada EN379-1.

16 de junho de 2006 às 00:00
Só autocarro dá acesso à praia da Figueirinha Foto: Natália Ferraz
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As limitações não impediram que, mesmo num dia de chuva, os banhistas quisessem observar de perto o andamento das obras e a qualidade da praia. Graça Carapeto, doméstica e residente em Setúbal, saiu satisfeita da praia, no autocarro que partiu pelas 16h15. “É uma praia de que gosto muito por ser mais sossegada. Hoje vim, em parte, por curiosidade, pois desde o incêndio de 2004, que o acesso estava interdito”, explicou.

No areal, Amadeo Pinto, empregado bancário na Guarda, conheceu “pela primeira vez na vida” a Figueirinha. “É o primeiro dia de férias e não dou por tempo perdido vir para a praia num dia de chuva.”

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Outra banhista, Isabel Pedro, de Santarém, recordou que frequenta a praia há sete anos. Como todos os outros, deslocou-se no autocarro gratuito a partir do parque de estacionamento da Secil. Encara como positiva a iniciativa da Câmara de disponibilizar de uma forma gratuita, de 15 em 15 minutos, os autocarros, até 31 de Julho. “Acaba por ser um descanso não estar preocupada com o estacionamento”, refere.

Até à conclusão das obras será proibida a circulação pedonal na zona de intervenção dos trabalhos. Com a reabertura da estrada, reabrem também os restaurantes e serão então retiradas as quatro casas de banho públicas agora instaladas.

Segundo a Câmara de Setúbal, a 31 de Julho, será reavaliado o sistema de transportes públicos.

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O corte da estrada EN379-1, ocorreu em 2004, logo após um violento incêndio, em Julho desse ano, que lavrou na encosta e cuja erosão tornou eminente o perigo de derrocadas. As obras inviabilizaram a candidatura nestes dois anos à Bandeira Azul e retiraram a praia da lista das zonas balneares, elaborada pela Comissão Europeia.

Para além dos autocarros da Câmara e de uma carreira paga dos TST está igualmente autorizada a circulação de 24 autocarros escolares durante o mês de Junho e de mais 43 no mês seguinte. Após a conclusão das obras deverão manter-se algumas restrições à circulação de viaturas particulares, a exemplo do que já acontecia anteriormente.

APERTADA VIGILÂNCIA

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A Figueirinha está rodeada de fortes medidas de segurança cujo objectivo é que os banhistas não sofram acidentes devido às obras de recuperação da encosta e para que o prazo da obra seja cumprido. Para a coordenação do trânsito, estão destacados funcionários da câmara quer para a praia quer para o parque de estacionamento da Secil.

Os funcionários trabalham em colaboração com a GNR. A vigilância da praia está garantida pela Polícia Marítima e nadadores-salvadores. A GNR tem também por missão assegurar que os utentes abandonem a praia às 19h00 e só regressem depois das 9h00. Devido à movimentação de máquinas, a circulação na estrada só é permitida dentro do autocarro. Vedado está também o acesso ao estaleiro, junto do restaurante Bar-Mar, que permanece encerrado.

PORTINHO PERDE RESTAURANTES

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Os proprietários do Beira-Mar e Galeão vão recorrer junto do tribunal da decisão do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) de efectuar a demolição destes dois restaurantes do Portinho da Arrábida no prazo de 60 dias, a contar de 22 de Maio. Vítor Esteves, proprietário do Galeão desde 1981, diz que “não está provado que o restaurante cause danos ao meio ambiente”.

Também Nuno Madeira, um dos proprietários do Beira-Mar, fundado em 1964, confirmou que recorreu para o tribunal da decisão do ICN. O objectivo do Instituto é retirar os restaurantes do lado poente, para estes darem lugar a areal. Novos espaços de apoio à praia serão erguidos no lado nascente da baía. Segundo o ICN, os proprietários não serão indemnizados porque os restaurantes estão situados no domínio público marítimo. As demolições serão pagas pelos proprietários.

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