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Sumo de uva que chegou a Sines escondia 20 milhões de euros em cocaína
Por João Carlos Rodrigues e Miguel Curado | 9 de Março de 2021 às 01:30
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• Foto: Frederico Batista
Mercadoria formada por 20 mil garrafas de sumo de uva trazia mais de 300 quilos de cocaína. Traficantes punham garrafa verdadeira em cada caixa de droga
Polícia Judiciária e Autoridade Aduaneira caçam contentor com 377 quilos de droga diluída.

Quando chegou ao porto de Sines, no final de janeiro, o contentor com origem no porto de Navegantes, em Santa Catarina, no Sul do Brasil, levantou suspeitas na alfândega. No entanto, o raio-X nada detetou – pareciam ser apenas garrafas de sumo de uva, importadas a pensar na comunidade brasileira em Portugal. Mas o seguimento do contentor até um armazém em Santa Iria da Azoia, em Loures, e o posterior alerta à Polícia Judiciária confirmaram as dúvidas. A mercadoria escondia 377 quilos de cocaína diluída e o homem que a recebeu , brasileiro de 45 anos, foi preso. Ficou na cadeia.

A droga, de valor estimado em 20 milhões de euros, foi expedida entre garrafas legítimas. Das 20 mil, ‘apenas’ 915 tinham cocaína. Enviadas em caixas de 12, os traficantes colocaram mesmo uma garrafa de sumo de uva verdadeiro em cada uma para o caso de ser feito um teste aleatório na alfândega. O nome da operação, Grape Juice, significa sumo de uva em inglês.

O homem que iria receber a encomenda, dono de uma empresa de importações e exportações no setor da alimentação e bebidas, tinha apenas de ‘secar’ o produto para ficar com cocaína pura, explica o coordenador da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, Rui Sousa. Ainda assim, não é claro se essa transformação seria em Portugal ou noutro local da Europa. O método não é inédito. A Polícia Judiciária já tinha feito apreensões com a droga diluída em água de polvo congelado ou calda de ananás.

A UNCTE acredita que o detido teve a ajuda de mais operacionais, ainda por identificar, na elaboração de um plano para realizar operações semelhantes. Depois de partir do Brasil, o navio passou por Roterdão, Holanda, e só depois veio para Portugal. A ideia seria, caso fosse possível ‘fintar’ as polícias portuguesas, expedir a droga para o Centro da Europa.

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foi a quantidade de cocaína , em quilos, apreendida em 2020 pela Polícia Judiciária, resultado de 402 operações. Grande parte deste volume – 8324 quilos – chegou a Portugal por via marítima, mas o destino final seria o Centro da Europa.

Ligações a Loureiro
A PJ desconhece, “para já”, qualquer ligação entre este caso e os 500 quilos de cocaína apreendidos num avião em que viajava João Loureiro. “Mas todas as hipóteses estão em aberto”, admite um responsável da Polícia Judiciária.
Quando chegou ao porto de Sines, no final de janeiro, o contentor com origem no porto de Navegantes, em Santa Catarina, no Sul do Brasil, levantou suspeitas na alfândega. No entanto, o raio-X nada detetou – pareciam ser apenas garrafas de sumo de uva, importadas a pensar na comunidade brasileira em Portugal.



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