TENHO MEDO DE SER MORTA
A jovem de 18 anos baleada na cabeça, ao que tudo indica pelo próprio pai, na noite de sexta-feira, continuava ontem, ao fim da tarde, internada na Unidade de Neurocirurgia de Cuidados Intensivos do Hospital de S. José, em Lisboa, com prognóstico reservado.
Cidália Lourenço, mãe de Carla Alexandra Santos, igualmente atingida, num braço, naquela noite, no 1.º andar do n.º 2 da Quinta do Paraíso, em Camarate, esteve ontem acompanhada pelo filho mais novo, Ricardo Jorge, na visita das 15h00 às 16h00 e, à saída daquela unidade hospitalar, confessou ao CM: "Tenho medo de ser morta a qualquer momento. E a Carla também".
"A minha filha quis evitar que o pai me matasse e agora está ali na cama com a bala na cabeça. E só amanhã (hoje) é que o médico vai falar-me da sua situação e do que poderá acontecer", revelou Cidália Lourenço, que não tem dúvidas quanto aos resultados que o seu ex-marido pretendia alcançar.
"Ele queria matar-nos. A mim e à Carla. E esta não foi a primeira vez que tentou. Em 1999, ainda casada com ele, apresentei uma queixa-crime, por agressão, na PSP de Sacavém e o julgamento está marcado para o dia 12 de Fevereiro de 2004. E em Fevereiro de 2001 foi a Carla quem se queixou, porque ele ameaçou-a com uma arma branca. E a minha irmã também já foi ameaçada de morte, só porque é minha testemunha no processo de divórcio", relatou Cidália Lourenço, que está muito menos preocupada com o seu ferimento - "a bala passou de raspão no braço - do que com a liberdade de movimentos de que goza o seu ex-marido.
"Trabalho na Junta de Freguesia de Camarate e preciso do meu ordenado para sustentar os filhos e a casa, e sei que ele não vai descansar enquanto não cumprir o que prometeu: Matar-me a mim e aos filhos".
O ex-marido de Cidália Lourenço e pai de Carla, Armando Pinto, alegadamente autor dos disparos, prestou declarações na esquadra da PSP de Sacavém e ficou em liberdade, facto que ainda mais aumentou o medo e a revolta de Cidália Lourenço.
"Ainda na madrugada de sábado o ouvi repetir, na esquadra de Sacavém, a ameça de que me matava a mim e aos filhos. Só não entendo como é que uma pessoa que já fez o que fez, e ameaça fazer ainda pior, pode andar por aí em liberdade. Até parece que não há justiça neste País."
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt