Terço cantado é forma inovadora de rezar
Entre as prateleiras que suportam dezenas de livros, Iemanjá e Buda convivem lado a lado. Na casa de Teresa Mascarenhas não há lugar para extremismos. Católica, assume total respeito por todas as outras religiões. Foi precisamente este o ponto de partida para uma agradável conversa entre amigos, uma discussão (“saudável”) que terminou com a ideia de musicar o terço, um dos actos religiosos com maior força junto dos católicos.
Teresa Mascarenhas, de 54 anos, é escritora. Nasceu em Lisboa e teve educação católica, mas não sente a obrigação de rezar todos os dias. Para a escritora, ajudar o próximo é uma forma de rezar. “Tenho necessidade de, quando me deito, rever o meu dia, pensar o que fiz de bem e de mal, o que fiz pelo meu próximo. Ajudar os outros é uma forma de nos encontrarmos com o melhor que há dentro de nós”, justifica.
Foi precisamente a pensar nos outros que surgiu a ideia de ‘O Terço Cantado’, um CD que pretende dotar o terço com novas formas de recitação, recorrendo à música e ao canto – e, dessa forma, ajudar as pessoas a sentirem-se menos sós quando rezam. “Há menos gente a ir à igreja, o dia-a-dia é complicado, nem sempre o permite. Além disso, há pessoas de idade que não podem sair de casa porque não têm elevador, que estão acamadas. É a elas, principalmente, que se dirige este trabalho”, diz a escritora.
Da ideia à prática passou um ano, em que foram escritas e gravadas seis versões musicadas da ‘Avé Maria’, quatro do ‘Pai Nosso’ e cinco ‘Glórias’, ao longo de 69 faixas, num disco dirigido aos portugueses, crentes e não crentes. “É de tal forma doce e transmite tanta paz que mesmo os menos crentes vão apreciar”, defende ainda Teresa Mascarenhas, o único membro do grupo de amigos responsáveis pelo nascimento deste CD que dá a cara pelo projecto. “Todos eles, dada a natureza da obra, entendem adequado assumir o mínimo possível de protagonismo”, adianta Teresa Mascarenhas.
O mesmo entenderam o compositor e intérprete instrumental, Ramon Galarza, e os irmãos Carmo e Francisco Rebelo de Andrade, que deram voz a este terço. “Não por não terem orgulho no trabalho, mas para que esse trabalho valha por si”, justifica a porta-voz.
Segura da qualidade do disco e conhecedora de que o Papa é apreciador de música, Teresa Mascarenhas lembrou-se de enviar uma cópia do trabalho a Bento XVI. O Papa respondeu prontamente, com uma mensagem de carinho pela iniciativa, dando-lhe, inclusivamente, a bênção apostólica.
“É um bálsamo para a alma e para o corpo”, remata Teresa Mascarenhas. Pelo preço de 9,95 euros, dos quais 50 cêntimos revertem para a Associação O Ninho, de apoio a ex-prostitutas.
Teresa Mascarenhas, de 54 anos, nasceu em Lisboa e é escritora. É membro da Amnistia Internacional e da Comissão para a Abolição da Pena de Morte. Faz visitas de conforto ao Instituto Português de Oncologia e à prisão de Tires. Troca correspondência com dez idosos sem família e dedica perto de cinco horas semanais de trabalho voluntário na internet, num ‘chatroom’ de apoio a pessoas deprimidas.
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