TERÇO IDENTIFICA MÁRTIR DE TIMOR

Um relógio, uma farda militar portuguesa, parte de um terço e uma medalha de Nossa Senhora de Fátima foram alguns dos elementos que levaram à identificação dos restos mortais do tenente-coronel Maggiolo Gouveia, na vala comum de Aileu, em Timor, em Junho passado.

13 de agosto de 2003 às 00:00
TERÇO IDENTIFICA MÁRTIR DE TIMOR Foto: d.r.
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Deste modo confirma-se o relato que o antigo bispo de Díli, D. José Ribeiro, fez por carta à viúva do antigo comandante da PSP de Timor, em Março de 1976: "E todo o grupo, de joelhos em terra, reza o terço a Nossa Senhora, dirigido pelo tenente-coronel Maggiolo Gouveia. Terminado este e estando todos ainda de joelhos, encoraja e anima os seus companheiros condenados à morte (...)".

Um forte testemunho de uma grande fé forte e que o filho de Maggiolo Gouveia, Rui Maggiolo Gouveia comenta ao CM: "Foi uma caminhada de fé que o meu pai fez, já desde Angola, ao aproximar-se mais do ponto de vista espiritual e de uma moral e ética católica".

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Além dos elementos acima referidos, a identificação dos restos mortais do malogrado oficial foi feita com o recurso à análise das próteses dentárias e, mais tarde, com os testes de ADN no Instituto de Medicina Legal de Coimbra. O processo de exumação foi acompanhado por Rui Maggiolo Gouveia, não só na qualidade de filho, como também de médico.

O funeral do oficial, que decorrerá dentro de uma semana, em Mação, numa cerimónia com honras militares vem, essencialmente, trazer o alívio para a família do último herói português, quase três décadas injustiçado.

DA PRISÃO AO FUZILAMENTO

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Maggiolo Gouveia fora preso pela UDT, de 10 para 11 de Agosto de 1975 no seu posto de comando da PSP local e acaba por aderir publicamente a este partido, sendo então solto. A 21 de Agosto é preso pela Fretilin, até Dezembro de 1975, tendo sofrido maus tratos que o levaram ao coma por cinco vezes. Em Dezembro desse ano, é fuzilado com mais cerca de 60 pessoas, junto à povoação de Aileu. O Exército Português na ilha, quando retirou de Díli para Ataúro, deliberadamente deixou para trás o tenente-coronel, nessa altura já preso e alvo de sevícias, apesar de então haver meios para o libertar: uma companhia de pára-quedistas chegou a estar a poucos metros da prisão onde, numa cela de porta aberta e preso por uma corrente e um cadeado, estava Maggiolo Gouveia.

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