Timoneiro da embarcação que naufragou em Troia condenado por quatro crimes de homicídio negligente
Levou quatro homens para o mar com ondas de quase quatro metros. Foi condenado a quatro anos e seis meses de pena suspensa.
O timoneiro da embarcação Lingrinhas, que naufragou ao largo de Troia em abril de 2024, foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, com pena suspensa, pela prática de quatro crimes de homicídio negligente grosseiro.
Os familiares das vítimas ficaram em lágrimas após conhecerem a decisão do tribunal e a advogada pondera recorrer da decisão judicial. Já o advogado do arguido considera que Manuel Coelho também é uma vítima e que, por isso, a pena foi excessiva.
O acidente provocou a morte de quatro homens de Grândola: Ricardo Neves, de 45 anos, e o filho, Francisco, de 11, e os irmãos Gabriel e José Caeiro, de 23 e 21 anos, respetivamente.
Durante as alegações finais do julgamento, o Ministério Público considerou que Manuel Coelho, de 64 anos, teve uma conduta "grosseiramente negligente" ao levar os quatro homens para o mar num dia em que as ondas atingiam quase quatro metros de altura.
Segundo a acusação, o timoneiro assumiu um risco "claramente desnecessário e elevado" para transportar os passageiros até uma zona de pesca de chocos. Cada adulto tinha pago 50 euros pela viagem.
O procurador rejeitou ainda a possibilidade de o naufrágio ter sido provocado por uma "calamidade natural imprevisível", defendendo uma pena não inferior a dois anos e meio de prisão por cada uma das quatro vítimas.
Por sua vez, Ângela Soares, advogada que representa a família das vítimas, criticou a posição da defesa, considerando "indecente" sugerir que os homens morreram por não terem lutado o suficiente para se manterem à tona da água.
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