Tornado espalha o medo em Peniche

Arrepiante: em 20 segundos um tornado lançou a destruição e o pânico em Peniche. Um autocarro tombou com a força do vento e um carrinho de bebé voou. Um prédio está em risco de ruir, um carro ficou sob uma árvore e muitas casas ficaram sem telhado. Há sete feridos ligeiros, entre eles um bebé.

05 de abril de 2006 às 00:00
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O tornado surgiu pelas 17h20: veio do lado do mar e atravessou a cidade – desde a praia do Porto da Areia Sul até à praia da Gamboa. “Foi um vento muito forte, fora do comum, mas ao mesmo tempo muito rápido que nem deu tempo para respirar”, disse o comandante dos bombeiros, Carlos Garcia.

Um autocarro da Rodiária do Tejo, que passava junto ao Tribunal, foi levantado no ar e atirado contra o alcatrão. Quatro ocupantes e o motorista ficaram feridos. Uma mulher, de 64 anos, também foi ferida, ao ser atingida pelo ramo de uma árvore.

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“A sorte é que é tempo de férias escolares. Num dia normal de escola vinha cheio de crianças e seria uma desgraça. Só vi uma língua de vento, a direito, carregada de lixo e muito escura”, recorda Paula Esteves, que acabara de sair do escritório onde trabalha quando o tornado varreu a cidade.

Tiago Bernardino estava à porta dos Correios de Peniche quando sentiu o carro a abanar. “Ouvi muito barulho e quando olhei pela janela vi um remoinho de vento, bem lá no alto, com tudo a andar à volta.” Telhas, árvores, papéis, plásticos.

“O carro abanou ainda mais e pensei que ia levantar voo.” O rasto de destruição atinge uma área desde o cemitério, onde há alguns estragos, passa pelas traseiras do tribunal, junto à zona da antiga sede do Grupo Desportivo de Peniche, e só acabou perto das muralhas de entrada da cidade.

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Joaquim olha com tristeza para o que resta de uma árvore de grande porte, classificada de interesse municipal, que caiu sobre um carro. “Eu andava na escola primária quando a plantaram. Tinha sete anos. Hoje estou quase com 64.” Filipe Andrade, de 20 anos, o proprietário da viatura, testemunhou tudo. “Estava à janela de casa e vi que a árvore estava a cair. Recuei com medo que pudessem saltar vidros e logo a seguir ouvi o estrondo da queda. Se estivesse alguém dentro do carro era morte certa.”

O prédio em risco de ruir, antiga sede de um grupo desportivo, já devoluto, foi isolado. Com telhado danificado ficaram uma escola, uma fábrica de conservas, armazéns e três habitações. A estrada cortada pela queda da árvore, de 18 metros de altura, foi reaberta depois das 21h00 – e a cidade começou a recuperar do grande susto.

BEBÉ SALVO DE CARRINHO QUE VOOU

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Um casal empurrava um carrinho de bebé no passeio – quando o tornado, negro e em espiral, se aproximou velozmente. O carrinho soltou-se das mãos e voou para a estrada. Uma testemunha, Tiago Bernardino, ouviu um grito de mulher – e voltou-se: o carrinho estava esmagado debaixo de um automóvel que ia a passar.

Tiago ficou gelado de pavor: pareceu-lhe que o bebé estava entre os ferros retorcidos. Mas viu o pequeno corpo deitado no alcatrão a um escasso palmo das rodas do automóvel. Nesse instante, chegou um enfermeiro. O bebé parecia estar bem. Os pais desapareceram com ele: levaram-no ao Hospital das Caldas da Rainha, onde, por precaução, foi visto pelos médicos.

Entretanto, os serviços da autarquia estavam ontem à noite reunidos de emergência para fazer o levantamento dos prejuízos. A PSP, a câmara municipal, a protecção civil e os bombeiros mobilizaram todos os meios. Não há desalojados.

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O QUE É?

É uma violenta coluna de ar, móvel e rotativa, que pode, ou não, entrar em contacto com o solo (terra ou mar). Desloca-se a uma velocidade média de 48 km/hora e pode atingir os 200 km/h. O seu diâmetro médio ronda os 50 metros, mas pode atingir 1,6 km.

COMO SE FORMA?

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Os tornados ocorrem, geralmente, na sequência de tempestades severas, junto a sistemas frontais, onde existe uma diferença significativa de temperatura entre as massas de ar (uma muito quente e outra muito fria). Formam-se em altitude e desenvolvem-se, em forma circular, até ao solo.

ONDE PODEM OCORRER?

Os tornados de maior intensidade são frequentes no EUA, na zona do Mississipi. No resto do planeta, o fenómeno pode ocorrer, mas com menor intensidade. Em Portugal estima-se que existam em média dois tornados por ano. O maior ocorreu em Castelo Branco, no ano de 1954, e provocou cinco mortos e 30 feridos.

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