Tramados por escutas e empresas-fantasma
Arguidos falavam ao telefone dos esquemas de fuga ao Fisco.
Alvo de vigilância apertada, os dez elementos do grupo da Operação Fundo Falso foram tramados pelas escutas telefónicas em que falavam abertamente do esquema de fuga ao Fisco, através de faturação falsa.Durante a investigação, foi possível perceber que os dois irmãos envolvidos na fraude, Miguel e Paulo Costa, tinham empresas ligadas ao fabrico e venda de móveis, em Paços de Ferreira, mas sem qualquer peça de mobiliário no interior. As firmas não tinham qualquer atividade - existindo apenas os edifícios, vazios.
Ouvidos por um juiz, os arguidos aceitaram falar, mas negaram os factos. Nove declararam que ganhavam 530 €/mês - salário mínimo, apesar das vidas faustosas. Apenas a professora, casada com o falso contabilista Bruno Taipa, disse estar desempregada. Miguel Costa referiu no interrogatório que não sabia, sequer, onde trabalhava. Outro assegurou que a sua única função era transportar cheques para serem assinados.
Os dez saíram em liberdade. Os dois irmãos, que ficaram com bens arrestados, são obrigados a apresentações quinzenais às autoridades e proibidos de contactar com os outros arguidos.Já o falso contabilista, usado como testa de ferro e com processos pendentes relativos a insolvências da empresas, terá ainda de pagar uma caução de 30 mil euros. Durante sete anos, lesaram o Estado em milhões. Criaram sociedades fictícias com nomes como Ideias Óbvias e Eficácia Contínua.
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