Tribunal arrasa pedófilo por causa de xenofobia
Álvaro Reis justifica sexo com enteadas com o facto de brasileiras serem muito desinibidas.
Álvaro Reis, o antigo guarda-redes do Benfica que foi condenado por abusos sexuais, desvalorizou os crimes que cometeu com o facto de as duas vítimas, suas enteadas, serem naturais do Brasil. O pedófilo, de 63 anos, alegou que é normal jovens daquele país serem muito desinibidas e iniciarem a vida sexual muito cedo. Negou assim que os atos que cometeu contra as jovens, de 13 e 15 anos, fossem crime. O Tribunal da Relação de Lisboa, que confirmou a pena de 13 anos, arrasou por completo a estratégia do pedófilo, natural de Sesimbra, que está na cadeia.
"Os factos praticados pelo arguido revelam uma personalidade malformada, que se manifesta no seu modo de atuar, na lascívia e consequente perturbação da autodeterminação sexual das menores, condutas estas que ofendem, em elevado grau, os sentimentos gerais de pudor sexual", lê-se no acórdão da Relação de Lisboa, que confirmou a pena.
Para sustentar a sua tese, Álvaro Reis voltou a salientar o depoimento de uma antiga companheira, também ela brasileira, que falou sobre as suas experiências sexuais, para tentar assim descredibilizar o depoimento das vítimas, que garantem ter sido vítimas de abuso sexual. As menores revelaram aliás, durante o processo, que ainda não tinham iniciado a sua vida sexual quando foram violadas pelo padrasto, na casa onde viviam, entre 2008 e 2010.
Álvaro Reis, que entretanto viu também o Supremo indeferir uma reclamação que fez do acórdão da Relação, nunca se mostrou arrependido dos crimes que cometeu. O arguido, que foi preso pela Polícia Judiciária de Setúbal em março de 2012, ameaçava as enteadas de que se contassem à mãe o que se passava seriam forçadas a regressar ao Brasil.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt