Tribunal recusa internamento a recluso homicida
Apesar de reconhecer a esquizofrenia de Hugo Pereira, juiz mantém preso na cadeia de Monsanto, Lisboa.
Um juiz de um Tribunal de Execução de Penas (TEP) de Lisboa (comarca que avalia concessões de saídas precárias e liberdades condicionais a reclusos) negou a transferência para um hospital-prisão de Hugo Pereira, o jovem que matou, a golpes de barra de ferro, um colega de cela na cadeia do Linhó. O preso mantém-se, assim, na prisão de segurança especial de Monsanto, Lisboa.
Recorde-se que apesar de ainda ir responder pelo homicídio de Diogo Remelgado, ocorrido a 28 de fevereiro, Hugo Pereira encontra-se a cumprir uma pena de 8 anos e 9 meses de cadeia por roubos. O pedido de avaliação das condições de detenção foi feito no âmbito deste processo.
A acompanhar o processo entregue ao juiz, sabe o CM, foi o resultado de uma perícia psiquiátrica efetuada a Hugo Pereira. A mesma comprovou que o recluso, de 23 anos, é portador de esquizofrenia, que lhe causa frequentes alucinações. No entanto, o magistrado do TEP que analisou o pedido de transferência do preso do regime prisional normal, para uma unidade de saúde prisional, considerou que "não se apurou psicopatologia (doença mental) que constitua pressuposto médico-legal para internamento".
Pedro Pestana, advogado do arguido, disse ao CM já ter avançado com recurso desta decisão ao Tribunal da Relação de Lisboa. "Muito sinceramente, não compreendo como o juiz do TEP não atentou para a necessidade de contenção da perigosidade social do doente psiquiátrico, ignorando ainda a urgência na proteção de terceiros (outros presos e guardas)", defendeu o jurista.
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