'Uber da droga' já cumpriu pena por matar pai a tiro

Homem que matou pai aos 17 anos e foi condenado a um ano de cadeia, vai agora cumprir cinco anos e meio por tráfico.

09 de junho de 2026 às 01:30
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Nuno Ricardo Santos foi detido pela PSP no final de 2024 após mais de um ano de investigação. Era apontado como um dos principais fornecedores de droga a famosos na zona de Lisboa e as escutas que sustentaram o processo em tribunal comprovaram isso mesmo. De acordo com o acórdão proferido há poucos dias, o ator José Carlos Pereira, a concorrente do Big Brother Marta Gil e o judoca que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2020, Jorge Fonseca, estão nessas interceções telefónicas que levaram à condenação de Nuno Ricardo Santos a cinco anos e seis meses de prisão efetiva.

Para lá destes 'VIP', o tribunal deu como provado que o traficante apelidado pela PSP como 'Uber da Droga' tinha uma carteira de clientes onde constavam participantes de 'reality-shows' como Big Brother ou Casados à Primeira Vista, funcionários da TAP, empresários, médicos ou engenheiros informáticos especializados em Inteligência Artificial, entre outros. De acordo com o Observador, que cita o acórdão do coletivo de juízes presidido por Rui Alves, a rede era ainda composta por Leonel Nhaga (braço direito do cabecilha), a mãe Lucinda Santos e a mulher. Os dois primeiros foram condenados a penas suspensas, a mulher absolvida por falta de provas do único crime de tráfico de que vinha acusada. Segundo o jornal online, Nuno Ricardo Santos “tentou desresponsabilizar as co-arguidas, a mãe e a mulher”, deixando claro, até ao final do julgamento, estar convicta de que a companheira do 'dealer' participava na organização do produto, estando responsável pela “preparação e a divisão das quantias monetárias”.

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Um ano preso por matar o pai a tiro

Nuno Ricardo Santos foi julgado há alguns anos pela morte do pai, que matou com um tiro. Segundo o CM apurou, o homem era toxicodependente e violento em casa. O jovem, na altura com 17 anos, terá agido em defesa da mãe e foi condenado a apenas um ano de prisão por esse crime. Conseguiu reconstruir a vida após esse episódio. Depois da prisão virou-se para o desporto, começou a trabalhar, emigrou, voltou a Portugal e abriu uma loja de desporto na Ericeira, trabalhou no ramo da cosmética e do imobiliário.

Encomendou mas não consumiu

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“Uma noite, alcoolizado, juntamente com uns amigos, ligaram ao Leonel para lhe dispensar quatro pastilhas de ecstasy. E é verdade que se deslocaram junto do Leonel, mas o Jorge nunca chegou a tomar qualquer substância psicotrópica, mesmo estando de férias dos campeonatos. Nem naquele momento nem noutro, ou qualquer outro tipo de substância, como é fácil de provar pela quantidade de vezes que é controlado ao longo do ano em períodos de treinos e competições pelas entidades nacionais e internacionais responsáveis por esses controlos”, garantiu o advogado João Ferreira, que representa Jorge Fonseca, ao Observador

E TAMBÉM

TAP - Colegas da mulher

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A mulher de Nuno Ricardo Santos foi absolvida, apesar de a procuradora ter apontada a "coincidência" que na lista de clientes do marido "muitos eram hospedeiros ou comissários de bordo" - a mesma profissão da única arguida absolvida - bem como pessoal mecânico da TAP.

Droga MDMA e ‘coca’ 

Quando foi detido, Nuno Ricardo Santos tinha na casa onde vivia com a mãe 334 comprimidos de MDMA, comprimidos de 2C-B, embalagens com cocaína, outras com cetamina, quase 60 selos de LSD e uma balança de precisão.

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Tribunal Estatuto

Para o tribunal, Nuno não traficava pelo dinheiro, mas “pelo sentimento de pertença e reconhecimento obtido, passando a beneficiar de um estatuto privilegiado junto de pares e amigos, alguns figuras mediáticas”.

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