UM HOTEL ASSOMBRADO

António Lourenço Fontes, padre de Vilar de Perdizes, conhecido pelos congressos de medicina popular, é proprietário de um hotel na região do Barroso, recuperado de uma antiga casa senhorial ‘assombrada’ – os habitantes locais juram que, em tempos idos, manifestavam-se por ali espíritos e animais ungidos.

01 de setembro de 2004 às 00:00
Partilhar

Quando o visitante bate à porta, quem abre o ferrolho e dá as boas-vindas é o Padre Fontes. O sacerdote, que muitas vezes apresenta discursos próximos do esoterismo, classifica o Hotel Senhora dos Remédios como “uma mansão assombrada”.

Aquilo que em tempo idos foi uma abastada casa de lavoura é hoje uma unidade hoteleira de linhas sóbrias. Tem poucos quartos e está quase sempre esgotada, em especial aos fins-de-semana e na época alta.

Pub

O misticismo está sempre presente nas divisões. No rés-do-chão, onde era o “quarto do tear”, está um quarto duplo. No local onde se situava a corte do cavalo está agora um quarto, com a particularidade de o visitante encontrar no meio da parede a argola em que o animal era preso. No piso superior o destaque vai para o quarto por detrás do altar da Senhora do Remédios, de quem Lourenço Fontes diz que quem lá dorme “fica protegido porque tem Nossa Senhora ao lado da sua travesseira”.

O quarto da “Tulha”, onde se guardavam os cereais, é usado preferencialmente pelo padre Fontes. Durante a visita, foi visível a inquietação do sacerdote, quando deu conta que estava a mostrar a cama onde tinha dormido, ainda por arrumar, onde pontificavam à cabeceira duas almofadas. Este facto, que levou o próprio Bispo de Vila Real a questionar o sacerdote da razão de dormir assim, teve sempre respostas evasivas. Ao CM, o sacerdote, visivelmente bem disposto, disse que aquilo que as pessoas denominam como os seus três segredos são de fácil explicação.

A bandeira do PS aos pés da cama: “é um apetrecho do 25 de Abril”;

Pub

Usar desde sempre uma viatura Mercedes-Benz: “gosto de andar seguro e este carro ajuda-me nas tarefas sacerdotais. O padre conduz e o Mercedes benze;

Quanto às almofadas na cama: “sofro da coluna, não utilizo nenhuma almofada, deito a cabeça no meio delas para me equilibrar”.

Mediante esta última resposta, ao lado, um amigo do sacerdote franziu o nariz e questionou: “Será?”.

Pub

A HISTÓRIA DO HOTEL

O Hotel Nossa Senhora dos Remédios nasceu no ano 2000, da recuperação da casa e capela do Outão, em Mourilhe, concelho de Montalegre, entre o Gerês e o Larouco, nas margens dos Rios Cávado e Pedreira. A capela da casa é de 1760, fachada, tecto, coro, púlpito, estatuária, paramentaria e talha barroca, rococó, com pinturas da ordem do Carmo no tecto. A fachada, decorada com quatro flores de liz e a vieira ou concha dos caminhos de Santiago, cruz decorada, torre sineira, desgastada de tanto chamar pastores e animais perdidos, cheia de tradições vivas, lendas, crenças e visões de luzes, gemidos, agouros e ruídos.

O QUE FAZER POR PERTO

Pub

São inúmeras as actividades nas redondezas do hotel, embora umas estejam mais perto do que outras. Parapente a 10 km, vela e motonáutica a quatro, pista de automobilismo a seis, centro hípico a sete, chegas (lutas) de bois a cinco, futebol a quatro. Pesca a 500m, caça grossa à porta no Outono e Inverno e participação em trabalhos agrícolas todo o ano. Discoteca, restaurantes, farmácia, hospital, mercado e feiras a quatro km. O parque nacional do Gerês fica também a quatro km, Chaves a 38, Braga a 77 e Ourense a 60.

UTILIDADES E PREÇOS

A casa dispõe de quatro quartos de casal, nove duplos, três triplos, com mobília nobre e janelas panorâmicas. Todos têm WC completo, ar condicionado, aquecimento central, TV e satélite, rádio e telefone, garagem privativa, lavandaria, jardim espaçoso, biblioteca regionalista, capela com acesso permanente para alguns actos de culto, museu profano, mítico e sacro do século XVIII, com peças raras e belas.

Pub

No restaurante e cozinha regional, somente para os utentes do hotel, servem-se cozidos e grelhados, fumeiros, cordeiro, vitela barrosã e doces caseiros. No bar há licores e chás tradicionais. A estada custa 40 euros por um quarto individual; 50 por um duplo e 60 por um triplo, com direito a pequeno-almoço. Nem tudo são luxos em redor deste hotel. Os acessos são próprios de uma aldeia de montanha, nas imediações o turista confronta-se com palha e produtos agrícolas. Nas ruas há excrementos dos animais, que apascentam nas imediações.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar