Uma centena de polícias protesta em Lisboa contra "jogo do empurra" nas negociações com Governo
Agentes exigem valorização salarial efetiva já em janeiro de 2027.
Cerca de uma centena de polícias concentraram-se esta quinta-feira frente ao Ministério da Administração Interna para exigir uma valorização salarial efetiva já em janeiro de 2027, acusando o Governo de estar "num jogo do empurra" para adiar esses aumentos.
"O que vemos da parte do Governo é um jogo do empurra para que esta valorização se concretize mais tarde", disse à Lusa Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que convocou o protesto desta quinta-feira, ao qual se juntou também a Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR), que juntou cerca de uma centena de polícias, entre PSP e GNR.
Paulo Santos acusou o Governo de mostrar "pouca disponibilidade" para dar "passos concretos" nas negociações que decorrem com o Ministério da Administração Interna (MAI) e o Ministério das Finanças", apontando ainda "um vazio" de propostas da parte da tutela.
Acusou também o Governo de "lançar ideias e experimentações", desajustadas à urgência do momento.
"Não temos tempo para experimentações, temos tempo para no prazo de um mês definir uma política que promova uma valorização da tabela remuneratória", disse, a propósito do prazo até à aprovação final do Orçamento do Estado para 2027, cuja proposta foi esta quinta-feira entregue pelo Governo no parlamento.
Só ao fim de duas horas de concentração, às 19:30, os polícias arrancaram em direção à Câmara Municipal de Lisboa, a poucos metros de distância do Terreiro do Paço, onde fica o MAI, para encerrarem o protesto frente à sede da autarquia.
O desfile até à Câmara de Lisboa decorreu sem palavras de ordem, mas com muitos apitos, tendo os dirigentes das duas estruturas sindicais, ASPP/PSP e APG/GNR, sido recebidos por um assessor de Carlos Moedas, presidente da câmara de Lisboa.
Apitos e apupos foi também o que se ouviu ainda frente ao MAI, quando o diretor nacional da PSP saiu do ministério, onde esteve reunido com o ministro Luís Neves, recusando responder a perguntas dos jornalistas sobre os protestos a decorrer e sobre as notícias relativas à sua sucessão à frente da PSP.
"Desejo o melhor aos nossos polícias e estou certo que os nossos polícias vão continuar a dar o melhor para a população", disse Luís Carrilho, enquanto entrava para o carro.
Pelo lado da GNR, César Nogueira criticou o tempo perdido em negociações sem que tenha sido apresentada pela tutela uma proposta concreta, e defendeu que o essencial neste momento é uma valorização salarial com efeitos já em janeiro de 2027 e alterar o estatuto remuneratório desta força policial, há décadas sem ser revisto, e um dos fatores que compromete a atratividade da carreira, que cada vez atrai menos candidatos.
César Nogueira disse que há neste momento guardas a receber menos 250 euros do que deveriam e que por via disso o Estado poupa milhões de euros.
Para o dirigente, a atuação do Governo nas negociações revela que "a segurança não é uma prioridade" e teme o que possa acontecer, até na imagem de Portugal enquanto país seguro, no dia em que "os polícias baixarem os braços".
Recusando fazer ameaças, e ressalvando que as forças policiais não podem fazer greve, César Nogueira disse, no entanto, que "são pessoas com ideias" e que neste momento "é preciso fazer alguma coisa mais" para que a posição das polícias seja considerada pelo Governo.
Também Paulo Santos afirmou que a ASPP/PSP não vai desistir do calendário de protestos decidido em setembro, tendo já deixado a garantia ao Governo de que "os protestos são para continuar" até que a tutela "garanta algo palpável em janeiro de 2027".
De momento, a ASPP/PSP não ter "nada para apresentar" em resultado das reuniões negociais, disse Paulo Santos, que entende que o ministro Luís Neves "não tem respaldo político nem apoio governativo", quer do primeiro-ministro, quer do Ministério das Finanças, para concretizar as reivindicações sindicais.
No protesto junto ao MAI esteve ainda o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em solidariedade com a luta dos polícias por melhores salários, tendo considerado que a proposta de Orçamento do Estado esta quinta-feira apresentada "não vai responder ao país e aos trabalhadores" e representa "um ataque aos serviços públicos".
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