Único reator nuclear português está a ser desmantelado
Material radioativo vai ser devolvido aos EUA.
Esteve mais de 50 anos ao serviço da investigação científica e do ensino, em Portugal, mas está agora a ser desmantelado. O único reator nuclear em solo nacional começou a ser desfeito em março de 2019, em pleno segredo. O material deste reator já foi inclusivamente levado para os Estados Unidos da América, mas as instalações devem continuar o seu processo de desmantelamento durante os próximos dez anos.
Combustível de urânio e outros produtos radioativos foram retirados do Campus Tecnológico e Nuclear, na Bobadela, em Loures, e levados para um navio com os EUA como destino. Este reator nuclear começou por ser um marco e um primeiro passo em direção a uma série de centrais nucleares que Portugal pretendia desenvolver, como forma de produzir energia elétrica. No entanto, o reator estava parado desde março de 2016, data acordada com os EUA em 2007, quando aquele país forneceu o urânio utilizado no núcleo do reator.
Não é que o urânio tivesse já atingido o prazo da sua validade, mas desta forma, Portugal pôde devolver o material radioativo, não se preocupando com a solução para o mesmo quando atingisse o final da sua vida útil, em 2026. A acrescentar a este prazo, em fevereiro de 2016, a Agência Internacional de Energia Atómica tinha detetado várias falhas técnicas nas instalações, recomendando melhorias que poderiam ascender aos 10 milhões de euros.
"Como este combustível nuclear não podia ser utilizado diretamente no fabrico de bombas, os EUA também teriam menos interesse na recolha deste material caso Portugal decidisse manter o reator em serviço", declarou José Marques, responsável pela operação e exploração do reator, em declarações ao jornal Público.
O desmantelamento deste reator nuclear envolveu os Ministérios da Ciência, da Defesa, da Administração Interna e também das Finanças.
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