Utentes alimentados com comida estragada

Capelão contou em tribunal que viu produtos e medicamentos fora de prazo na Obra do Calvário.

17 de novembro de 2016 às 08:33
Partilhar

Capelão durante quase 20 anos no Hospital de São João, Porto, o padre José Nuno, que atualmente exerce funções no Santuário de Fátima, garante que nunca vai esquecer os horrores que testemunhou na Obra do Calvário de Beire, pertencente à Casa do Gaiato de Paredes, durante o ano de 2011, altura em que visitava com regularidade os utentes com problemas mentais."O banho também me chocou. Ao sábado, os utentes homens ficavam despidos em fila, no corredor, à espera da sua vez. Não havia sequer uma toalha para cada um", frisou o padre, que diz ter denunciado o caso ao então bispo do Porto. Ontem, foi ainda ouvido Agostinho Leal, que denunciou o caso à Judiciária. "Um dia, ouvi gemidos e encontrei, numa cela, uma mulher amarrada que os outros utentes não viam há dois anos", contou.

"Havia medicamentos e comida com validade passada há muito tempo. Eu cheguei a comer esses alimentos. Os utentes certamente também, pois a comida seria feita com eles", disse ontem o capelão ao coletivo de juízes do Tribunal de Penafiel, que está a julgar o padre António Baptista, ex-diretor da Obra do Calvário, por 13 crimes de maus-tratos e ofensas corporais a crianças e idosos.

Pub

O padre capelão explicou ainda que não havia funcionários para tomar conta dos utentes. "Os doentes acamados nunca eram virados. Fraldas? Nunca as vi serem usadas. Vi, sim, um doente atado nos pulsos e tornozelos a uma cadeira sanitária", referiu.

"O banho também me chocou. Ao sábado, os utentes homens ficavam despidos em fila, no corredor, à espera da sua vez. Não havia sequer uma toalha para cada um", frisou o padre, que diz ter denunciado o caso ao então bispo do Porto. Ontem, foi ainda ouvido Agostinho Leal, que denunciou o caso à Judiciária. "Um dia, ouvi gemidos e encontrei, numa cela, uma mulher amarrada que os outros utentes não viam há dois anos", contou.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar