“Vi o meu filho morrer na estrada”
O condutor do carro que atropelou Mário Rui estava sob o efeito de drogas. Em Caíde de Rei, Lousada, chora-se a violenta morte da criança de 12 anos.
'Vi o meu filho ser atropelado, voar para o outro lado da estrada e ser arrastado pelo outro carro. Vi o meu filho a morrer', contou ao CM Ana Isabel Rebelo, mãe de Mário Rui, o menino de 12 anos que foi vítima de um brutal atropelamento, anteontem, em Canillo, Andorra. Os condutores dos dois automóveis envolvidos foram detidos, um por acusar consumo de drogas e outro, uma mulher, por ter fugido do local.
Mário resida com família em Andorra há cerca de cinco anos. Anteontem à noite, atravessava a estrada com a mãe rumo a casa, que fica do outro lado da via, numa zona sem passadeira. De acordo com Ana Isabel, um Volkswagen Golf surgiu a grande velocidade e apanhou Mário. O menino foi projectado para a via no sentido contrário onde um outro carro o arrastou cerca de 70 metros no asfalto. 'Foi tudo muito rápido e nem deu tempo de o tirar da estrada', disse a mãe de Mário Rui, ainda em estado de choque.
O condutor do primeiro veículo e o amigo esperaram pela polícia, mas a condutora do outro automóvel fugiu, deixando o corpo do menino na estrada. Mário chegou ao hospital já sem vida.
A polícia andorenha deteve o condutor do Golf, que é vizinho da família da vítima. Os testes acusaram que o jovem, de 22 anos, conduzia sob o efeito de drogas. Ontem, as autoridades conseguiram identificar o segundo automóvel e a condutora foi também detida por omissão de auxílio.
A trágica notícia chegou na madrugada de ontem a Caíde de Rei, em Lousada, terra da família de Mário Rui. A avó, Maria Rosa Rebelo, não se conforma com a morte do neto. 'Meu rico menino, ainda na Páscoa aqui esteve. Era muito querido, mesmo um bom rapazinho. Não é justo acontecer isto', dizia a avó sem parar de chorar.
A mãe de Mário e restante família que vive em Andorra chega hoje a Lousada. O corpo do menino chegará ao final da tarde.
EMIGRANTES EM ANDORRA HÁ CINCO ANOS
A mãe de Mário Rui trabalha num hotel em Canillo, Andorra. Partiu para o Principado há cerca de cinco anos, onde também reside uma irmã e demais família. Levou os filhos, Mário, de 12, e Henrique, de 19 anos. 'Tínhamos uma boa vida aqui e agora acontece esta desgraça', disse ao CM a tia do menino, Ana Rebelo. Mário Rui gostava de viver em Andorra e, apesar de adorar a avó, recusava-se a ficar em Lousada. 'Mãe e filhos eram muito chegados, não a deixavam', conta a família em Lousada. Passavam as férias, o Natal e a Páscoa em Caíde de Rei, onde a família Rebelo tem um café. Mário Rui brincou a última vez com os primos na semana da Páscoa e mais uma vez a avó lhe pediu para ficar. 'Ele disse que não queria ficar longe da mãe. Dizia sempre que tinha de a proteger', contou a avó de Mário Rui.
CHOQUE, DOR E LÁGRIMAS EM CAÍDE DE REI
Familiares e amigos de Mário Rui juntaram-se ontem em casa de Maria Rosa para chorar a morte do menino. Uma fotografia da comunhão, uma vela e uma flor na mesa, foi a forma encontrada para improvisar um velório, já que o corpo de Mário só chega hoje. Entre lágrimas, recordavam momentos da vida de Mário Rui. Pelo telefone iam comunicando com a mãe e com os tios que estavam em viagem de Andorra para Portugal. O funeral de Mário Rui realiza-se amanhã pelas 09h00. O cortejo fúnebre segue de casa da avó, em Caíde de Rei, para o Mosteiro de Travanca, onde serão realizadas as cerimónias religiosas.
PORMENORES
CÂMARAS DE VIGILÂNCIA
A polícia identificou a condutora que fugiu do local através das imagens de uma câmara de vigilância na estrada que registou o atropelamento.
VIA SINALIZADA
A zona da estrada municipal onde ocorreu o acidente é uma recta com dois sentidos, marcados por um corredor pintado a laranja.
SEM PASSADEIRA
A via permite aos automobilistas circular com alguma velocidade. A zona do atropelamento não tem passadeira.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt