Vigilância naval por radar em Ferragudo
Um dos centros de coordenação do sistema de controlo de tráfego marítimo do continente VTS (Vessel Traffic System) está a ser criado em Ferragudo, junto ao porto de pesca de Portimão, faltando apenas instalar a maquinaria. Duas torres de radar portuárias, na Ilha do Farol, Faro, e na Ponta do Altar, Lagoa, estão já concluídas.
Na região ficarão ainda mais quatro equipamentos do sistema VTS, nomeadamente três torres de radar costeiro em Monte Figo (Faro), Monte do Vale (Vila do Bispo) e Fóia (Monchique). Neste local fica também uma antena de comunicações, ‘Fóia 1’, destinada a assegurar o contacto e transmissão de dados entre as estações de controlo e os navios, bem como entre as diversas estruturas do VTS.
O VTS deverá entrar em funcionamento no início do próximo ano, altura em que passará a monitorizar toda a costa algarvia até às 50 milhas náuticas (92 quilómetros).
De acordo com informação do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, o sistema, além de conseguir uma melhor gestão do tráfego marítimo e da segurança da navegação, “contribuirá para o apoio ao desenvolvimento das missões de busca e salvamento no mar, bem como de prevenção e combate à poluição marinha, através da detecção precoce de qualquer acidente”. Terá ainda “outros atributos”, em particular no “domínio do combate às actividades ilícitas”.
O sistema é constituído por um subsistema costeiro e cinco subsistemas VTS portuários: Portimão, Faro, Figueira da Foz, Viana do Castelo e Aveiro. Com excepção de Aveiro, todos os outros (o costeiro e os quatro portuários) serão controlados a partir de dois centros de Controlo de Tráfego Costeiro, o principal em Paço d’Arcos e o outro em Ferragudo. As operações podem ser repartidas pelos dois centros ou asseguradas por um só.
O investimento é de 100 milhões de euros, metade dos quais comparticipados por fundos comunitários.
GOVERNO À ESPERA DE RESULTADOS
O Governo considera que o sistema de segurança VTS, depois de colocado em funcionamento, irá reduzir, em cerca de 66%, os acidentes com embarcações. Ajudará a poupar vidas, servirá para controlar a poluição e aumentará, em aproximadamente 5%, as apreensões de droga.
O VTS irá também, acreditam as autoridades, garantir o respeito pelos novos corredores de separação de tráfego marítimo. Isto porque os navios são agora obrigados a dobrar o cabo de S. Vicente, em Sagres, a 14 milhas da costa, quando anteriormente o podiam fazer a apenas cinco milhas marítimas.
Refira-se que, a contribuir para a eficácia, o VTS inclui um sistema automático de identificação de navios (denominado AIS). Este sistema permite a detecção e controle dos movimentos das embarcações ao longo da costa portuguesa.
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