Violador decora nome das vítimas
Aos investigadores confessou cerca de 40 casos em que esteve envolvido e disse o nome das raparigas. <br/>
Foi confrontado com oito violações e confessou aos investigadores da Polícia Judiciária e ao juiz de instrução criminal outros 40 casos, entre violações consumadas e abordagens falhadas. Mas houve outro pormenor que surpreendeu todos: Henrique Sotero recordava-se da maior parte dos nomes das raparigas que tinha violado, segundo apurou o CM junto de fontes próximas do processo.
'Todos as características que têm vindo a lume sobre ele indiciam uma personalidade com traços de rigidez, padrões fixos e obsessivos', explica Carlos Poiares. O psicólogo criminal acredita mesmo que Henrique Sotero tenha 'escondido algures um caderno, tipo diário de bordo', em que registava todos os ataques. 'É muito inteligente, organizado e minucioso', observa ainda o especialista. Sotero estudava as rotinas das suas vítimas e atacava-as munido de uma faca, levando-as para o interior dos prédios onde residiam. Aí violava-as. Mas no fim mudava de atitude e tentava manter uma conversação com as vítimas, perguntando sempre como se chamavam. Quando foi abordado pela primeira vez pela Polícia Judiciária procurou ajuda. Sentia o cerco a apertar, e começava a tomar consciência de que poderia ser apanhado. Preparou-se para o pior e consultou advogados e psicólogos. Primeiro foi a duas psicólogas, que o aconselharam a procurar um especialista homem.
Na segunda quinzena de Novembro começou a ser seguido pelo psiquiatra António José Albuquerque. E a 26 de Janeiro consultou pela primeira vez o psicólogo e comentador televisivo Paulo Sargento, no âmbito de um protocolo que existe entre a empresa para qual Sotero trabalhava, a Zon, e uma seguradora com a qual o especialista colabora.
ADVOGADO PREPARA QUEIXA
O advogado de Sotero, José Pereira da Silva, regressa hoje de férias e vai voltar a ver o seu cliente, preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Lisboa. 'Agora há que preparar uma participação na Procuradoria-Geral da República para apurar a responsabilidade das imagens que a TVI transmitiu na semana passada, mas ainda não sei quando avanço', disse ao CM.
José Pereira da Silva ficou com o caso do violador de Telheiras alguns dias de pois de Sotero ser interrogado pela primeira vez por um juiz, a 6 de Março.
Neste primeiro interrogatório, Henrique Sotero foi defendido por uma advogada oficiosa, que se encontrava de serviço no Tribunal de Instrução Criminal, no Campus da Justiça, em Lisboa.
PORMENORES
NATURALIDADE
Sotero nasceu a 16 de Fevereiro de 1980, em Lisboa. Os pais, divorciados, são naturais de Montes Altos, Mértola.
BOM ALUNO
Frequentou a Escola Secundária Stuart Carvalhais, em Massamá, e Engenharia Química no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Tirou inclusive nota 19 a algumas cadeiras.
NAMORADA
Namorava há nove anos com A.S. e viviam juntos há três, num apartamento em Massamá. Tanto a mãe da namorada quanto a mãe de Henrique vivem muito perto.
BENFIQUISTA
É benfiquista e coleccionava moedas. Na internet tinha um fórum sobre numismática, do qual era o administrador.
'ELE DESCONFIA DE QUEM O DENUNCIOU À PJ'
Henrique Sotero foi denunciado por uma chamada anónima para a PJ, que o deteve a 5 de Março, ao final da tarde, na ZON. 'Ele desconfia de quem o denunciou à Polícia Judiciária, mas não revelou nomes', disse ao CM fonte judicial.
Até agora o advogado de Sotero, Pereira da Silva, ainda não quis abordar directamente esta questão. Mas confrontado pelo CM com as imagens que a TVI transmitiu, em que o seu cliente é filmado à porta do consultório de Paulo Sargento, que seguia Sotero, não evitou comentar que já percebia 'a perfeição do retrato-robô [publicado pela PJ]'. Sotero foi detido um dia depois da última consulta com Sargento.
SAI A CHORAR
Depois de várias horas a ser ouvido pelo juiz de instrução criminal, o predador sexual saiu a chorar. Fez um telefonema e seguiu para a zona prisional anexa à PJ, onde ficou em prisão preventiva.
PREVENTIVA
Está na Ala F do Estabelecimento Prisional de Lisboa desde 19 de Março. Foi transferido da zona prisional anexa à PJ depois de ter sido agredido a soco por Mário Machado, líder da Frente Nacional.
CIFRAS NEGRAS
Há oito mulheres que reconheceram Sotero como o violador de Telheiras e ao juiz confessou mais cerca de quarenta casos. Mas pode haver ainda mais mulheres violadas que não apresentaram queixa.
VÍTIMA DE 17 ANOS
Uma vítima, de 17 anos, contou à TVI que Sotero a obrigou a fazer-lhe sexo oral. 'Ele sabia sempre bem o que dizer e como agir e nunca pareceu estar a pensar duas vezes no que estava a fazer (...)', disse.
GRUPO DE APOIO NA NET CANCELADO
O grupo de apoio a Henrique Sotero na rede social Facebook, na internet, foi cancelado. Ontem, quem tentasse aceder ao grupo naquela rede social já não encontrava o grupo ‘Pessoas que acham que o Henrique merece uma segunda oportunidade’.
'Até foi melhor ser cancelado, estava a ficar insustentável', disse ao CM Daniel Martins, conhecido relações públicas do mundo social portuense, que também tinha aderido ao grupo de Sotero e que aludia à polémica que gerou. Já ontem o relações públicas tinha dito ao CM que o teor das mensagens que andava a receber era 'preocupante' e na internet multiplicavam-se os comentários depreciativos sobre o grupo e quem o apoiava.
O grupo foi criado na segunda quinzena de Março, por um desconhecido, e a maioria das publicações ali feitas dizia respeito a notícias da comunicação social sobre o caso do violador, havendo ainda lugar algumas de cariz pessoal da autoria do administrador da página.
Por outro lado, continuam a multiplicar-se os grupos no Facebook que condenam o violador de Telheiras.
FILMADO À PORTA DO PSICÓLOGO
A 30 de Março a TVI transmitiu imagens exclusivas de Henrique Sotero a sair de um prédio pouco tempo antes de ser detido. Apesar da estação nunca ter revelado, o CM apurou que as imagens tinham sido captadas à porta do consultório do psicólogo Paulo Sargento, na avenida de Berna, em Lisboa. O psicólogo também é comentador na TVI e estava no programa ‘Você na TV’ quando passaram as primeiras imagens. Primeiro, disse desconhecer aquele local e num segundo contacto já disse que não fazia ideia de quem tinha recolhido as imagens. Paulo Sargento deu quatro consultas a Sotero.
NOTAS
ZON: DETIDO NO TRABALHO
Henrique Sotero trabalhava na área de apoio ao cliente da ZON, mas não tinha contacto directo com os mesmos. Foi preso pela Polícia Judiciária no local de trabalho, na rua da Beneficiência
COLEGAS: SEM DESCONFIAR
Segundo o ‘CM’ apurou, os colegas de trabalho de Henrique Sotero nunca se aperceberam da vida dupla que o engenheiro levava. 'Não dava nas vistas', disse um colega
TERÇAS: GINÁSIO ERA ÁLIBI
Os ataques de Henrique Sotero aconteciam sempre à terça-feira. Era o dia em dizia à namorada que ia ao ginásio, o que permitia chegar mais tarde a casa sem levantar suspeitas
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