Violador escapou a vigilância da PJ
Dezenas de inspectores passavam terças-feiras em Telheiras. Henrique foi identificado em Outubro, no local do crime, e teve sangue-frio para disfarçar.
As queixas de violação apontavam todas para terças-feiras ao fim do dia, dentro de prédios em Telheiras, onde as raparigas menores eram forçadas a fazer sexo oral. Pelas descrições não restavam dúvidas de que se tratava do mesmo predador, conforme o CM avançou em Janeiro – e dezenas de inspectores da PJ de Lisboa foram mobilizados, meses a fio, para acções de vigilância no bairro, àquele dia específico da semana. Já havia um retrato-robô, o primeiro que o CM publicou, e foram identificados vários homens parecidos com o violador. Entre os quais o verdadeiro. Numa tarde de Outubro, Henrique Sotero foi abordado numa rua de Telheiras por inspectores, mas teve sangue-frio para disfarçar e desaparecer.
O nome do engenheiro ficou registado, entre outros, mas seguiu o seu caminho. Aos 30 anos, continuou a trabalhar na empresa de telecomunicações Zon, em Lisboa, e a viver com a namorada, num 4º andar em Massamá. Mas sentiu o cerco da Judiciária a apertar.
Depois de vários anos a violar raparigas impunemente – mais de 40, conforme acabou por confessar ao juiz –, desta vez, dificilmente iria escapar. Parou de atacar, mudou de visual, deixando crescer a barba, e começou a planear a sua defesa. Estudou o Código Penal e procurou ajuda psicológica. Percebeu que já era só uma questão de tempo até chegarem a si – e o nervosismo cresceu a 14 de Janeiro, quando o CM avançou que era procurado pela Polícia Judiciária um violador em Telheiras, publicando o primeiro retrato-robô e revelando a sua descrição física.
Ainda resistiu até Março, mas, depois de toda a imprensa ter publicado o último retrato-robô – divulgação feita a pedido do procurador João Guerra –, em poucos dias Henrique Sotero estava a ser denunciado à PJ por alguém que o conhece. A imagem feita a computador, a partir das descrições das vítimas, é um retrato fiel de Henrique Sotero.
A PJ foi confirmar mais esta informação – entre dezenas que chegaram em telefonemas desde o dia em que o CM publicou o primeiro retrato-robô –, e deparou-se com o homem que identificara em Outubro, em Telheiras. Não podia ser coincidência. Reconhecimento do violador por parte de cinco vítimas, impressões digitais e provas de ADN fizeram o resto. Acabou preso no trabalho, na última sexta-feira.
PORMENORES
QUEIXAS DAS VÍTIMAS
O agressor sexual confessou ao juiz de instrução criminal e aos inspectores da Judiciária ser o autor de 40 crimes, mas, até agora, as autoridades apenas têm queixas de cinco mulheres.
10 ANOS DE PRISÃO
Em julgamento, Henrique Paulino Sotero, arrisca ser condenado a uma pena de prisão efectiva superior a dez anos.
PAIS E NAMORADA VISITAM-NO
As visitas aos detidos na cadeia da Polícia Judiciária começam às 14h00, mas ontem, 20 minutos antes da hora marcada, já os pais de Henrique Paulino Sotero estavam na porta principal do edifício.
José Sotero, que reside na aldeia dos Montes Altos, em Mértola, viajou para Lisboa na segunda-feira à noite, pouco tempo depois de saber que o filho estava detido desde sexta-feira – e que era o tão procurado violador de Telheiras. Nessa noite, juntou-se à ex-mulher, Luísa Paulino, de 55 anos, que reside no bairro das Flores, um dos mais antigos de Massamá. E ontem, visivelmente abalados, foram juntos, com o filho mais velho, Hugo, e a namorada de Henrique, Ana Filipa, até às instalações da zona prisional da PJ. A visita ao recluso durou cerca de uma hora, o tempo permitido pelas autoridades e, tanto à entrada como à saída, todos recusaram prestar qualquer declaração.
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