VIRGEM QUE CHORA TEM TERÇO ORTODOXO

A Igreja Católica não quer ter nada a ver com as imagens das Virgens que choram lágrimas de cera, desaconselhando qualquer tipo de peregrinação aos três locais onde o fenómeno surgiu (Anadia, Oiã e Fornos de Algodres). No entanto, os romeiros, que continuam a acorrer para ver a 'Santa de Ancas' podem sempre rezar o terço, numa cerimónia organizada e presidida por um padre ortodoxo.

01 de dezembro de 2003 às 00:00
VIRGEM QUE CHORA TEM TERÇO ORTODOXO Foto: Carla Pacheco
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"A religião é toda uma e até o Santo Padre tem pedido a união entre todas as confissões", afirma a dona da primeira imagem que verteu lágrimas. Benigna Pereira confessa mesmo que "é uma graça de Deus que o senhor padre se oferecesse para vir todos os dias, porque tem dado grande conforto às pessoas. Elas assim o dizem".

No dia em que o CM se deslocou a Ancas, para assistir à cerimónia, o padre Carlos - que até há pouco tempo estava ligado ao santuário da Santa da Ladeira do Pinheiro, em Torres Novas -, fez questão de iniciar o primeiro mistério do terço pedindo que se reze pela "rápida recuperação do Bispo de Aveiro, D. António Marcelino, que sofreu um acidente de viação".

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FENÓMENO TEM EXPLICAÇÃO

Apesar da simpática alusão ao prelado católico em convalescença, o Vigário-Geral da Diocese, Monsenhor João Gaspar, adiantou ao CM que "as indicações do senhor Bispo são claras. Os párocos desses lugares devem informar as pessoas que o fenómeno tem uma explicação, dada por escultores credenciados, e que tudo não passa de uma escorrência de parafina do olho da imagem".

Mesmo assim, romeiros de vários pontos do País vão passando por Ancas (até em excursões organizadas) e Benigna Pereira vai transmitindo a sua mensagem: "Não quero que pensem que sou alguma burlona. Apenas abro as portas da minha casa a quem quiser vir rezar a Nossa Senhora."

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Para provar o que diz, Benigna mostra um recibo passado em seu nome pela Obra do Frei Gil, em Mira, em que se atesta a entrega de 300 euros em dinheiro. "Juntei todos os donativos que as pessoas foram deixando ficar contra a minha vontade e fui levá-los a uma instituição que trabalha com crianças. Cumpri a minha obrigação", conclui.

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