Viúva de homem morto com 30 facadas em Alverca empurra culpa para amante. Defesa alega 'síndrome de Hulk'

"Não dei facada nenhuma", garante Sílvia Rosa na primeira sessão de julgamento pelo homicídio de Filipe Jorge. Casal de amantes está em liberdade pelo excesso de prisão preventiva.

05 de maio de 2026 às 01:30
Bas Ruijter à saída do Tribunal de Loures Foto: CMTV
Filipe Jorge foi morto com 30 facadas na garagem do prédio onde a ex-mulher vivia Foto: CMTV

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"Com certeza não dei facada nenhuma. Só posso supor que foi o Bas, eu não vi, Mas eu não fui. Eu vi-os num confronto muito forte, muito violento. Assustei-me e corri a pedir ajuda, quando voltei o Filipe estava numa poça de sangue". Foi desta forma que Sílvia Rosa, de 46 anos, explicou esta segunda-feira em tribunal de que forma o amante neerlandês, 21 anos mais novo, matou o marido de quem se tinha separado 12 dias antes.

Em causa está o homicídio de Filipe Jorge, na garagem de um prédio em Alverca, em fevereiro de 2023. De acordo com Sílvia, que é acusada do crime em coautoria, ela e Bas Ruijter tinham iniciado uma relação amorosa dois anos antes, através de uma aplicação na internet. Os dois foram-se aproximando ao mesmo tempo que "Filipe mantinha relações extraconjugais", com o jovem neerlandês a viajar com frequência até Portugal. Ele ficava em hotéis de Lisboa, onde se encontrava com Sílvia, mas nunca chegaram a ter relações sexuais porque o amante "sofria de uma fimose grave, que lhe provocava dores intensas".

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A mulher explicou que no dia do crime foi buscar o marido - na altura ainda estavam casados, embora dormissem em camas separadas há vários anos - à estação e o levou até ao prédio onde vivia para dar explicações a uma filha. Bas Ruijter tinha chegado a Portugal na véspera e ficado num hostel em Vila Franca de Xira. "Eu tinha-lhe dito que só estaria disponível depois do almoço, mas quando chegámos e entrámos na garagem ele estava lá", relatou Sílvia. O confronto entre os dois homens terminou com Filipe Jorge morto com 30 facadas. O alerta foi dado por vizinhos que entretanto chegaram à garagem.

Bas Ruijter, de 25 anos, admitiu em tribunal que trabalhava como estafeta nos Países Baixos e que fazia também "entregas de cocaína e haxixe". A sessão terminou antes de confessar o crime - o que irá fazer, segundo o advogado de Defesa. Pedro Pestana vai, no entanto, argumentar que o jovem neerlandês estava no momento do crime sob efeito de um "Transtorno Explosivo Intermitente", uma condição psiquiátrica que se caracteriza por episódios graves e isolados de agressividade desproporcionais ao evento que os desencadeia e que é conhecido vulgarmente com 'síndrome de Hulk'. 

Por esclarecer, para já, está a forma como as duas facas, de 33 e 27 centímetros foram parar às mãos de Bas Ruijter. Tanto o jovem como Sílvia estão atualmente em liberdade, por excesso de prisão preventiva. A mulher trabalha como relações públicas num hotel e Bas em apoio ao cliente, de forma remota, numa empresa de ar condicionado do país natal. O jovem, oriundo de uma família abastada e com ligações ao futebol, perdeu os dois dentes da frente durante o período em que esteve em prisão preventiva.

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