Volta ao tribunal de onde escapou

Paulo Polaco, hoje com 22 anos, espalhou o terror no Grande Porto durante meses. Liderando um grupo que mais tarde ficou conhecido como o gang do Minho, protagonizou dezenas de assaltos a diversos estabelecimentos. O tribunal imputou-lhe quase 200 crimes, mas só conseguiu provar uma ínfima parte. Foi condenado a 14 anos de cadeia, a cumprir na prisão-escola em Leiria.

04 de abril de 2008 às 00:30
Volta ao tribunal de onde escapou Foto: António Manuel Rodrigues
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Ontem, PauloPolaco voltou ao tribunal de onde tinha fugido em 2004. Foi no Bolhão, numa manobra tão perigosa quando surpreendente. Paulo Polaco já era um cadastrado perigoso, tinha apenas 19 anos, mas enganou polícias e funcionários. Fugiu com mais quatro indivíduos conhecidos por assaltos armados, mas dois foram logo apanhados. Paulo Polaco andou a monte mais de um ano, depois de ter fugido para o Brasil, e ontem entrou no tribunal com um ar triunfante.

A decisão da juíza neste processo não lhe podia ter sido mais favorável. Paulo Polaco foi agora absolvido e assim tem menos uma condenação para a efectivação do cúmulo jurídico que se aproxima.

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Na base da decisão de ontem, esteve a falta de memória da vítima. Sete anos depois de ser assaltado (o roubo aconteceu em Outubro de 2001), o queixoso não conseguiu reconhecer Paulo Polaco. E não confirmou o que era defendido pelo Ministério Público: que o suspeito tinha actuado em conjunto com outros indivíduos e que o propósito era roubar o carro à vítima.

Levaram-lhe o automóvel, mas antes Paulo Polaco ainda teria disparado. Em direcção ao condutor que mesmo assim se conseguiu refugiar no interior do veículo. O projéctil entrou na porta e ninguém sofreu ferimentos.

Para evitar a repetição da fuga, Paulo Polaco só saiu ontem da carrinha celular quando a juíza estava pronta para a leitura da sentença. Antes disso ficou no veículo dos serviços prisionais, não descendo para os pequenos calabouços onde, em 2004, em conjunto com os amigos, dominou dois incautos agentes da PSP.

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"Connosco não foge", dizia ontem, a brincar, um guarda-prisional, que explicava não ser necessária a utilização de meios especiais de segurança.

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