Correio da Manhã

Câmara de Vizela com indícios de irregularidades
Foto Direitos Reservados
Foto André Cravinho
Por Sérgio Pereira Cardoso | 10:32
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Contratos para obras de 10,5 milhões de euros, em 2009 e 2010, levantam suspeitas.

A Câmara de Vizela vai remeter para o Ministério Público as conclusões de uma auditoria que mandou realizar às contas da autarquia por alegados indícios de irregularidades, disse esta terça-feira o atual presidente, Victor Hugo Salgado.

Em causa está a utilização "sucessiva e reiterada" de "mecanismos de fracionamento da despesa e de fragmentação das empresas", levantando "sérias dúvidas sobre a legalidade".

Victor Hugo Salgado explica que os indícios reportam a situações de 2009 e 2010, quando foram contratadas várias empresas para a realização de obras, nomeadamente na rede viária, com cerca de 10,5 milhões de euros.

"Verifica-se um custo de dez milhões de euros em obras em estradas e não se vê nada de significativo. Isso é preocupante", assinalou.

Mais do que os indícios de ilegalidades, o edil diz estar preocupado com o impacto "na economia local e nas condições financeiras da câmara".

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Referiu que a autarquia teve de suportar cerca de 1,2 milhões de euros de juros de mora pagos a empresas e 2,5 milhões de euros "associados à contratação de empréstimos para liquidar essa dívida".

Lamentou ainda que um concelho criado há apenas 20 anos tenha sido "objeto de uma claustrofobia financeira", provocada "por um conjunto de decisões tomadas de ânimo leve e que indiciam crimes".

Victor Hugo Salgado foi vice-presidente da Câmara de Vizela no anterior mandato, acabando por sair, em 2016, em rutura com o presidente Dinis Costa (PS), ganhando as eleições de 2017.

Diz que pediu três vezes ao então chefe do executivo a realização da auditoria, o que foi rejeitado.

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