Correio da Manhã

Fogo afeta produções de medronho e cortiça de Monchique
Foto Pedro Noel da Luz
Foto CMTV
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Por Diana Santos Gomez | 08:35
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Empresário perdeu 2500 arrobas de cortiça e uma grande área de medronheiros.

Quase 400 hectares de medronheiros e sobreiros foram destruídos nas zonas de Alferce e Picota, na sequência do incêndio que atingiu o concelho de Monchique.

Num ano em que era prevista uma produção de medronho e cortiça acima da média, José Paulo, de 60 anos, perdeu cerca de 2500 arrobas de cortiça e uma grande área de medronheiros. "No medronho conseguimos uma recuperação mais rápida, já no montado é um trabalho de gerações e que demora vários anos a recompor-se", lamentou ao CM o empresário, que considera ser "uma perda irreparável", que irá obrigar a "uma travessia no deserto".

Desde a extinção do fogo, o empresário já tem uma equipa de funcionários a substituir tubagens e a cortar árvores, de forma a limpar os terrenos atingidos.

Numa altura em que as produções de medronho e de cortiça ficaram comprometidas, José Paulo reconhece que "é complicado gerir a situação, uma vez que só vai conseguir tirar cortiça, a maior fonte de rendimento, daqui a treze anos", deixando, por isso, um apelo ao Governo no sentido de "repensar seriamente o reordenamento da floresta, a começar no combate aos fogos".

O empresário natural de Monchique vai candidatar-se aos apoios do Estado, mas até serem atribuídos é obrigado a investir a título pessoal, de forma a evitar que os prejuízos possam agravar-se. Na serra algarvia, há dezenas as empresas locais que à semelhança de José Paulo sofreram elevados prejuízos, mesmo depois de terem garantido a limpeza dos terrenos.

Durante o incêndio, 41 pessoas ficaram feridas, uma em estado grave, entre 3 e 10 de agosto. Quase 30 mil hectares arderam e 74 casas, pelo menos 30 de primeira habitação, foram destruídas pelas chamas.

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