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Correio da Manhã

Portugal
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Alentejo sem emprego e bebés perde oito pessoas por dia

Beja e Portalegre são os mais afetados pelo despovoamento.
Alexandre M. Silva 23 de Fevereiro de 2016 às 06:00
Évora foi dos poucos concelhos alentejanos que aumentou a população nos últimos anos
Évora foi dos poucos concelhos alentejanos que aumentou a população nos últimos anos FOTO: Rui Fernandes
São cada vez menos os alentejanos que se fixam na região. Por dia, o Alentejo perde oito habitantes. Esta é uma tendência gerada pela redução de postos de trabalho, sobretudo qualificados, baixa natalidade e envelhecimento da população. "Estes fatores provocam um ciclo vicioso que leva cerca de 2900 pessoas a abandonar todos os anos a região", frisa Henrique Sim-Sim, presidente da Associação Alentejo de Excelência, que esta 5.ª feira promove uma conferência para debater o despovoamento.

Mourão, Gavião, Nisa, Portalegre, Mora e Mértola estão entre os concelhos que mais população perderam nos últimos anos. "Os distritos de Portalegre e Beja são os mais afetados. Por exemplo, Mértola tinha, em 1950, 30 mil residentes e em 2011, segundo os Censos, apenas sete mil. É uma densidade populacional de cinco habitantes por cada quilómetro quadrado. Em comparação, Lisboa tem 9500", sublinhou. Mesmo assim, nem todos os números são negativos. Évora, Sines, Vendas Novas, Campo Maior e Viana do Alentejo, conseguiram atrair pessoas. No entanto, para Henrique Sim-Sim é preciso ter atenção ao envelhecimento da população. "Temos 179 idosos por cada 100 jovens. Não existe massa crítica para repovoar o território", salienta. Estes números não surpreendem os alentejanos, que há muito reclamam mais empresas e investimento. "A minha filha acabou o curso de Psicologia há um ano e ainda não conseguiu sequer um estágio. A falta de oportunidades leva os jovens a sair", disse um morador, em Évora.

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