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Correio da Manhã

Portugal
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Barragem obriga famílias a abandonar as casas

Casal septuagenário resiste até ao último dia na casa onde viveu feliz e criou três filhos.
Patrícia Moura Pinto 3 de Novembro de 2019 às 09:45
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Casal septuagenário resiste até ao último dia na casa onde viveu feliz e criou três filhos.
Eurico Fernandes tem 79 anos e vive há mais de 40 em Ribeira de Baixo, junto ao rio Tâmega, no concelho de Ribeira de Pena. Tem ordem para deixar a sua casa amanhã devido à construção das barragens do Alto Tâmega pela empresa Iberdrola.

"Deram-me 78 mil euros, deste dinheiro tenho de comprar terreno e fazer casa, com esta idade como hei de ter forças para começar uma vida do zero? Além disso, este dinheiro nunca na vida chega para fazer uma casa como a que tenho", desabafa o septuagenário, com as lágrimas nos olhos.

Agarrado a ele está a mulher, Glória Gonçalves, de 69 anos, que na sua casa criou três filhos e de onde guarda as melhores memórias da sua vida. O sorriso deste casal, junto há 53 anos, esconde lágrimas diárias, uma vez que construíram a casa com o esforço de uma vida ganha com o trabalho no campo.

A passagem do tempo é contada minuto a minuto por Glória Gonçalves, que faz o almoço na sua cozinha tradicional, anexa à habitação. Enquanto isso, Eurico e o filho continuam na árdua missão de arrumar as coisas, pois falta muito pouco o dia de saída obrigatória.

O destino é composto por casas pré-fabricadas, colocadas num parque de estacionamento no centro da vila de Ribeira de Pena e que vão servir de tecto a esta família e outras seis, até que consigam arranjar uma nova casa.

Numa habitação vizinha, já vazia, ficou escrito nas paredes "Adeus Ribeira de Baixo", um adeus sentido e emocionado de quem ali construiu casa e agora é obrigado a sair para que a água suba e apague um local onde outrora muita gente sorriu.
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