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Correio da Manhã

Portugal
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Celtejo nega descargas no Tejo mas APA culpa indústria

Agência Portuguesa do Ambiente deteta valores elevados e aponta dedo à indústria do papel.
Bernardo Esteves e Ângela Gonçalves Marques 1 de Fevereiro de 2018 às 08:22
Trabalhos de remoção da espuma poluidora no açude situado em Abrantes ainda estão a ser realizados
Nuno Lacasta
Celtejo, em Vila Velha de Ródão
Trabalhos de remoção da espuma poluidora no açude situado em Abrantes ainda estão a ser realizados
Nuno Lacasta
Celtejo, em Vila Velha de Ródão
Trabalhos de remoção da espuma poluidora no açude situado em Abrantes ainda estão a ser realizados
Nuno Lacasta
Celtejo, em Vila Velha de Ródão
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou ontem os resultados das análises a amostras de água do Tejo recolhidas a montante e a jusante de Abrantes no dia 24, quando o açude aí localizado ficou coberto de espuma. Os resultados confirmam valores elevados de substâncias com origem na indústria do papel.

"As análises revelam fibras celulósicas com valores muito elevados, correspondendo a um aumento de 30 vezes relativamente ao apurado noutras amostragens. Também os valores de celulose, que avaliam toda a matéria vegetal em presença, se apresentam cerca de 5 mil vezes superiores aos de amostragens anteriores", afirmou Nuno Lacasta, presidente da APA, responsabilizando "as indústrias de pasta de papel localizadas a montante". Sem apontar diretamente a Celtejo, o responsável diz que a empresa "é responsável por 90% da descarga naquela localização".

A Celtejo garantiu ser alheia à poluição verificada recentemente em Abrantes. "A Celtejo é completamente alheia ao que tem surgido. Não temos qualquer anomalia ou qualquer descarga e a produção ao longo das últimas semanas tem sido estável", afirmou Soares Gonçalves, diretor de qualidade e ambiente da empresa. Já Sofia Jorge, do setor ambiental, diz que as sanções impostas pela APA (redução de efluentes em 50% por 10 dias) são economicamente inviáveis. "A fábrica não pode continuar nestas condições", afirmou, frisando que é preciso investigar outros focos de poluição. "As autoridades devem começar a caracterizar de maneira séria tudo o que é descarregado no Tejo e também para lá da fronteira". António Pedrosa, assessor da Celtejo, diz que a empresa tem sido um "bode expiatório".

Adequar descargas a caudal reduzido
Nuno Lacasta, presidente da APA, diz que devido à seca e excesso de matéria orgânica, o Tejo revela carência de oxigénio e em certas zonas há mesmo anoxia (ausência total). O responsável diz que serão revistos contratos com empresas de pasta de papel para adequar as descargas ao caudal mais reduzido do rio.

Empresa mostrou nova estação
A Celtejo apresentou ontem a nova estação de tratamento de águas residuais industriais (ETARI) da empresa, numa conferência de imprensa. A ETARI está a funcionar desde setembro e, segundo a Celtejo, representou um investimento de 12  milhões de euros.
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